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- INFORMAÇÕES PARA INTEGRANTES DO COLETIVO MARIANAS
🎯 PARTICIPAÇÃO NO COLETIVO MARIANAS Para fazer parte do Coletivo Marianas, é importante seguir algumas diretrizes: 👥 1. Eventos Presenciais : participar dos eventos coletivos — o contato presencial é essencial para a integração. Para integrantes de outras localidades, participar de atividades virtuais ou em feiras (com seus livros). 💳 2. Mensalidade: colaborar com a mensalidade para manutenção das atividades do coletivo. Todas as integrantes colaboradoras podem expor seus livros em feiras e festivais culturais que participamos. 📱 3. Grupos de WhatsApp: participar dos grupos para acompanhar acertos e enquetes. ➡ Novas integrantes: solicitar inclusão a outra integrante ou entrar em grupos do WhatsApp. 📱 GRUPOS DE ORGANIZAÇÃO (com links de convite para WhatsApp) 📢 COLETIVO MARIANAS ORG : grupo fechado, apenas para avisos oficiais. 💬 DIVULGAÇÕES MARIANAS : para conversas e organização de eventos. 🏛️ ASSOCIAÇÃO DO COLETIVO MARIANAS : apenas para voluntárias da associação (em processo de formalização, aguardando CNPJ). 🛠️ OFICINAS MARIANAS : para organização de oficinas. ✍️ PROSA DE MULHER : para organização dos eventos com narrativas em prosa. 🪁 SEÇÃO INFANTIL BPP : para apresentação de livros infantis na Biblioteca Pública do Paraná. 😊 CONVERSAS ALEATÓRIAS: bate-papo informal. 🔄 Podem ser criados outros grupos temporários para ações específicas 💳 MENSALIDADE Valor: R$ 30,00 mensais PIX: coletivomarianas@gmail.com Uso: inscrições em feiras, manutenção do site e apoio para pessoas que cuidam das mesas expositoras, mediações e representações em eventos. 🎪 EVENTOS FIXOS 📖 Letra de Mulher : todo primeiro domingo do mês, na Feira do Poeta (Largo da Ordem, Curitiba/PR), com 2 a 3 integrantes apresentando seus livros de poesia. 📖 Prosa de Mulher: dedicado à leitura e discussão de narrativas em prosa com autoria de mulheres. As reuniões bimensais serão coordenadas pela escritora Susan Blum no Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria). 🛠️ Ciclo de oficinas de literatura e artes: práticas para incentivar a leitura e a escrita, difundir conhecimento e fomentar criações artísticas produzidas por mulheres. As oficinas, ministradas em locais diversos e também virtualmente por escritoras e artistas do grupo, terão inscrições abertas por meio de formulários disponíveis em coletivomarianas.com/oficinas . 🏛️ Biblioteca Pública do Paraná : atividades mensais na seção infantil + saraus trimestrais. 🌳 Biblioteca de Ciências Florestais e da Madeira da UFPR : rodas de conversa e oficinas. 📢 A definição de participantes para essas ações é combinada no grupo DIVULGAÇÕES MARIANAS e em grupos específicos para cada ação. 📚 FUNCIONAMENTO DAS MESAS EXPOSITORAS ✅ Direito de Uso: todas as participantes têm direito a usar a mesa expositora coletiva para seus livros individuais, com prioridade para quem colabora com a mensalidade. 📦 Estoque: é necessário deixar seus livros no estoque do coletivo (Espaço A+). Em breve, teremos 4 pessoas com acesso para combinar a inclusão de livros e baixa no estoque. 💰 Aquisição e Custos: conseguimos as mesas por meio de editais e pagamos inscrições (por isso a mensalidade). Há auxílio transporte para pessoas que cuidam da mesa (durante todo o horário ou em turnos de 6h), montagem e desmontagem. 🕒 Participação Voluntária: qualquer autora pode participar das feiras voluntariamente para apresentar seus livros em horários diversos. 💵 VENDA DOS LIVROS 📗 Livros Individuais: os livros expostos são de propriedade das integrantes — o coletivo não fica com o dinheiro da venda. 📕 Antologias: o coletivo só fica com o valor das vendas das ANTOLOGIAS, cuja impressão é paga com dinheiro coletivo. 📅 As escalas são combinadas no grupo DIVULGAÇÕES MARIANAS. 🎥 COORDENAÇÃO DO COLETIVO MARIANAS 2026 Danielle Rech (coordenação do Coletivo Marianas), Letícia Lopes (administração de verba e inscrições), Sandra Pinto (estoque de livros), Andréia Gavita (eventos em bibliotecas), Adriana Tozzi (suporte em eventos), Francine Cruz (seção infantil BPP) e Susan Blum (Prosa de Mulher). 🌐 DIVULGAÇÃO FEITA POR VOLUNTÁRIAS 📢 TODOS OS EVENTOS SÃO DIVULGADOS NO SITE E REDES SOCIAIS 🌐 Site e cards (Andréia Gavita): coletivomarianas.com 📰 Notícias do site (Tânia d'Arc): coletivomarianas.com/noticias 📷 Instagram @coletivomarianas: Adriana Tozzi, Tânia d'Arc. 👤 Portfólios no Site (Tânia d'Arc): coletivomarianas.com/integrantes Qualquer integrante pode ter um portfólio. Basta ler as orientações no formulário, preencher e aguardar a publicação. 🔗 Formulário de Portfólio: https://docs.google.com/forms/u/2/d/1AjW9v0_B_WhRxxk9-1DZBaPhwOQfz8Rytg3IsbTTAh4/ 📖 Revista do Site: coletivomarianas.com/revista Aceitamos poemas e textos das integrantes (não precisam ser inéditos). Enviar material para Daniela Amaral ( blogdasmarianas@gmail.com ). 🔗 OUTROS LINKS ÚTEIS ✉️ E-mail: coletivomarianas@gmail.com 💬 Facebook: facebook.com/coletivomarianas 📱 Instagram: @coletivomarianas
- Oficinas gratuitas ofertadas em março de 2026 pelo Coletivo Marianas
Para março de 2026, o Coletivo Marianas oferece uma programação especial de oficinas de literatura e artes, todas presenciais e gratuitas, em locais diversos de Curitiba. As inscrições estão abertas e os formulários e as informações completas podem ser acessados em: coletivomarianas.com/oficinas A programação inclui as oficinas: "Como escrever contos de terror?" com Keyla Fernandes; "A arquitetura do poema: escansão e figuras" com Maísa Cardoso; "Cartas para os meus Eus / Escrita criativa" com Danielle Pacheco; e "O Tarô e a Escrita terapêutica" com Maria Lorenci e Neysi Oliveira. 📚 Detalhes: ✍️ Oficina 2: Como escrever contos de terror? 📅 Data: 11/03/26 🕒 Horário: 14h às 16h 📍 Modalidade/Local: Presencial (Biblioteca Hideo Handa) 📖 Conteúdo: Escrita criativa focada em contos de terror, abordando técnicas, história do gênero e análise de obras. 🎨 Público-Alvo: Livre. INSCRIÇÕES via formulário : https://forms.gle/FxE1pPkd67LraN1c9 📜 Oficina 3: A arquitetura do poema: escansão e figuras 📅 Data: 21/03/26 🕒 Horário: 9h às 11h30 📍 Modalidade/Local: Presencial (Biblioteca Hideo Handa) 📖 Conteúdo: Prática de criação e análise poética, focando na estrutura dos versos, escansão e figuras de linguagem. 🎨 Público-Alvo: Pessoas a partir dos 15 anos. INSCRIÇÕES via formulário: https://forms.gle/voMzvHXAASSDRbhH9 💌 Oficina 4: Cartas para os meus Eus / Escrita criativa 📅 Data: 25/03/26 🕒 Horário: 14h às 16h 📍 Modalidade/Local: Presencial (Biblioteca Hideo Handa) 📖 Conteúdo: Escrita autobiográfica e criativa, com exercícios para diferentes versões de si mesmo (passado, presente, futuro). 👩🦰 Público-Alvo: Mulheres a partir de 18 anos. INSCRIÇÕES via formulário: https://forms.gle/q9CZAtncUUQYwgVj8 🔮 Oficina 5: O Tarô e a Escrita terapêutica - intuição colocada em palavras 📅 Data: 28/03/26 🕒 Horário: 14h às 18h 📍 Modalidade/Local: Presencial (Casa da Leitura Wilson Bueno) 📖 Conteúdo: Uso do Tarô para estimular a criatividade e o autoconhecimento através da escrita, com foco nos Arcanos Maiores. 👩🦰 Público-Alvo: Mulheres a partir de 18 anos. INSCRIÇÕES via formulário: https://forms.gle/BmFJyj2jR8eiX75s8
- 85° Letra de Mulher: 12 anos do Coletivo Marianas
O 85° Letra de Mulher celebra os 12 anos de existência do Coletivo Marianas com leitura de poemas de integrantes e participantes do encontro, que terá mediação de Maria Lorenci . O evento é aberto ao público e acontece no dia 1° de fevereiro de 2026 , das 10h30 às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30).
- Ciclo de Oficinas e Rodas de Prosa em 2026
O Coletivo Marianas inicia 2026 com energia renovada e uma novidade central: um ciclo de oficinas de literatura e artes . Esta iniciativa, coordenada pela poeta Danielle Rech , tem como objetivo oferecer práticas de incentivo à leitura e escrita, difusão de conhecimento e fomento às criações artísticas produzidas por mulheres. As oficinas serão ministradas em locais diversos e também virtualmente, por escritoras e artistas integrantes do grupo, e poderão receber inscrições por formulários disponibilizados em coletivomarianas.com/oficinas . Paralelamente às oficinas, estrearemos o projeto Prosa de Mulher , dedicado à leitura e discussão de narrativas em prosa com autoria de mulheres. As reuniões bimensais serão coordenadas pela escritora Susan Blum no Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria). 1° Prosa de Mulher com as autoras Keyla Fernandes e Tânia d'Arc Além das novas ações, mantemos nosso compromisso político e feminista com atividades consolidadas. Continuaremos atuando em feiras literárias e com a roda mensal Letra de Mulher , projeto que apresenta obras produzidas por mulheres e que já realizou 84 edições em Curitiba. Idealizado pelas poetas Priscila Prado e Andréia Carvalho Gavita (fundadora do Coletivo em 2014), o Letra de Mulher foi inicialmente realizado no Café Babette (11 edições, 2018-2020), realizou versões online durante o período de pandemia (22 edições, 2020-2022) e atualmente é realizado na Feira do Poeta (53 edições presenciais desde 2022). A 85ª edição, em 01/02/26, celebrará os 12 anos do coletivo na Feira do Poeta, com roda de leituras de poemas de integrantes e participantes. 85° Letra de Mulher em 01/02/26 Nossa atuação inclui ainda apresentações de livros infantis e saraus na Biblioteca Pública do Paraná, além de rodas de conversa e oficinas na Biblioteca de Ciências Florestais e da Madeira da UFPR. A equipe de gerenciamento que dará suporte a todas essas iniciativas conta com Danielle Rech (coordenação do Coletivo Marianas), Letícia Lopes (administração de verba e inscrições), Sandra Pinto (estoque de livros), Andréia Gavita (eventos em bibliotecas), Adriana Tozzi (suporte em eventos), Francine Cruz (seção infantil BPP) e Susan Blum (Prosa de Mulher). Workshop ESCRITA E EDIÇÃO com Coletivo Marianas na Universidade Tuiuti do Paraná - maio/2025 Em 2026, seguiremos também consolidando nossa participação em festivais culturais e literários, saraus, lançamentos de livros, seminários, mesas de debate e diversas ações voltadas para cultura, literatura e artes em Curitiba e outras localidades. 🔗 PARA ACOMPANHAR NOSSOS EVENTOS: 🌐 Site: coletivomarianas.com 📱 Instagram: instagram.com/coletivomarianas 📋 Oficinas: coletivomarianas.com/oficinas
- Tânia d'Arc
Tânia d'Arc é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Mídias Digitais pela Universidade Positivo e trabalha com redação e revisão de textos. É integrante e redatora do Coletivo Marianas e participa do Mulherio das Letras Paraná e do Escreviventes. Em 2023, lançou O que te escrevo é pedra bruta e delicada , semifinalista do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba . Em 2024, publicou Entraves & entranhas e O Natal do Beto . Alguns poemas da autora Naufrágio vestígios de um amor perdido, mordido, doído, bandido, mórbido vestígios do que um dia foi amor vestígios, litígios, sufrágio, frágil amor, débil amor restos do que um dia foi amor, paixão, tesão um dia foi e hoje é a sobra, o resto, o traço, des-troço, esboço, do fundo do poço do nosso poço por isso, não posso me arriscar de novo a esse nau frágil . Tenho muita coisa pra dizer, mas não há voz suficiente. Não há ânimo, nem organização, não há gesto, não há retórica que baste. Escrevo. Talvez por isso. Só a palavra escrita é capaz de fragmentar o infinito que a gente tem dentro da gente Eu: fragmento. . Existência Queria ser flor, efêmera Mas sou como pedra. Perduro. Livros O que te escrevo é pedra bruta e delicada: sobre o amor e suas verdades (Patuá, 2023) Entraves & entranhas (Patuá, 2024) O Natal do Beto (Donizela, 2024) Coautoria Publicar é um direito – poema (TAUP, 2023) O amor é um grito – dois poemas (TAUP, 2024) "O autor – Do sertão ao parlamento: vida e obra de José Vieira" Vida e aventura de Pedro Malasarte – paratexto (Com-Arte/Edusp, 2024) New beats – poema (Persona, 2024) Marianas 10 – poema (Donizela/Anadara brasiliana Edições, 2024) Revista Vinca Literária – poema (2024) Salubria: saúde mental das mulheres – contos (Donizela, 2024) Marítimas – crônica e apresentação do livro (Anadara brasiliana Edições, 2024) Mulherio das Letras Paraná – três poemas (Anadara brasiliana Edições/Donizela, 2024) Revista Mães que Escrevem – vol. 5, n° 14 – (Instituto Mães que Escrevem, 2024) Blog Mães que Escrevem – poema (Instituto Mães que Escrevem, 2025) Contos em miniatura – microconto (Comala, 2025) Antologia Suja – poema (Donizela, 2025) Revista Julia n° 5 – conto (Arte & Letra, 2025) Outras publicações Traduções "Ganhar a guerra ou fazer a revolução?" , Oitenta anos da Revolução Espanhola (es-pt) (Com-Arte/USP, 2019) Revisões Revista BBM n°1 (Publicações BBM/BBM-USP, 2018) Em todo canto , Josi Pereira (publicação independente, 2018) Vida e aventura de Pedro Malasarte , José Vieira (Com-Arte/Edusp, 2024) Marianas 10 , várias autoras (Donizela/Anadara brasiliana Edições, 2024) Memórias de um menino pé vermelho , José Julio de Azevedo (publicação independente, 2024) Semeadura , Sandra Pinto (TAUP, 2024) Marítimas , várias autoras (Anadara brasiliana Edições, 2024) Mulherio das Letras Paraná , várias autoras (Anadara brasiliana Edições/Donizela, 2024) A Mulher-Polvo , Adriana Tozzi (Donizela, 2024) O mistério dos cadáveres perdidos (Donizela, 2025) O evangelho da noite , Keyla Fernandes (Donizela, 2025) A descoberta que mudou a minha vida , Ingrid Haas (InVerso, 2025) Mulheres migrantes , várias autoras (Donizela, 2025) Prêmios 1° Troféu Capivara – Prêmio Literário da Cidade de Curitiba (TAUP, 2024) semifinalista com o livro O que te escrevo é pedra bruta e delicada – Escritor Estreante Prêmio Cultura Viva do Tamanho Do Brasil! – Premiação de Pontos e Pontões de Cultura com o Coletivo Marianas (MINC/FCC, 2024) Saiba mais sobre Tânia d'Arc Instagram LinkedIn O que te escrevo é pedra bruta e delicada (Dica de Leitura – canal Senhora Literatura) Entraves & entranhas (Dica de Leitura – canal Senhora Literatura)
- Inverso é... um texto de Valéria Pinheiro
Apanhei o verbo chamando inverso na chama da sombra copiada do sol que tingia a parede de universo e de coisas sem nome que eu sabia que eram eu.
- Eventos do Coletivo Marianas em dezembro de 2025
Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (06/12) Apresentação de Mariana e as conchas , com a autora Rosana Barroso (Zaninha Miranda) ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Casa Literária na Nex House (06/12) Exposição e lançamento de livros e outras artes das integrantes do Coletivo Marianas ⏰ 10h às 19h 📍 Nex House 84° Letra de Mulher (07/12) Apresentando: Amorosidades e pequenas tragédias , de Clara Bordinião Café com palavras , de Jô vertuan Maré de Vênus , de Rita Delamari com mediação de Adriana Tozzi e Gisela Maria Bester ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta – Largo da Ordem, R. Cel. Enéas, 30 – Centro, Curitiba (PR) Sarau Coletivas na BPP (13/12) Sarau do Coletivo Marianas e convidadas ⏰ 10h30 às 12h 📍 Hall de entrada da Biblioteca Pública do Paraná Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (13/12) Apresentação de Clara Camarão , com a autora Lindamir Salete Casagrande ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Versão Brasileira (20/12 e 21/12) Exposição de livros e outras artes das integrantes do Coletivo Marianas na festa Versão Brasileira ⏰ Sábado: 13h às 19h ⏰ Domingo: 11h às 18h 📍 Love City – Rua Riachuelo, 500 – São Francisco, Curitiba (PR)
- 84° Letra de Mulher: lançamento de "Amorosidades e pequenas tragédias", "Café com palavras" e "Maré de Vênus"
O 84° Letra de Mulher apresenta o lançamento dos livros Amorosidades e pequenas tragédias , de Clara Bordinião , Café com palavras , de Jô Vertuan , e Maré de Vênus , de Rita Delamari , com mediação de Adriana Tozzi e Gisela Maria Bester . As autoras apresentarão as obras, farão roda de conversa e leitura com as pessoas presentes. Haverá também venda dos livros e sessão de autógrafos. O evento é aberto ao público e acontece no dia 07 de dezembro de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Amorosidades e pequenas tragédias Um livro de poemas que constrói uma cartografia íntima dos afetos dissidentes no Brasil contemporâneo. Nestes versos que transitam entre o diário pessoal e o manifesto político, a autora tece a tensão entre o amor como ato revolucionário e as pequenas tragédias cotidianas que assombram corpos marginalizados. Entre lampejos de "corpos-sol" em meio à escuridão de um "país sem futuro", os poemas exploram a vulnerabilidade queer, cartas não enviadas, beijos que se transformam em versos e o grito existencial de "foge comigo" como estratégia de sobrevivência. Inspirada pelo pensamento de bell hooks e pela súplica de Lygia Fagundes Telles — "Me leia. Não me deixe morrer" —, esta obra transforma o afeto em trincheira e prova que mesmo nas tragédias do dia a dia, as amorosidades insistem em florescer, lembrando-nos que amar, em tempos sombrios, permanece um verbo de resistência. O livro pode ser adquirido direto com a autora ou pelo site da Editora Donizela: https://www.donizela.com/product-page/amorosidades-e-pequenas-trag%C3%A9dias Café com palavras Em Café com palavras , Maria José dos Santos Vertuan nos convida para sentar ao redor do fogão à lenha da memória. Ao longo dos poemas, a autora compartilha histórias que aquecem a alma, como o delicioso aroma do café. Nesta coletânea de poemas, a autora tece com beleza e delicadeza os fios de sua infância no interior paranaense, as narrativas ancestrais contadas por vovó Maria e os encontros musicais que transformavam domingos comuns em celebrações da vida. Mas há algo mais profundo nestes versos: a presença forte e serena de uma identidade que se afirma na coroa de caracóis, no eco dos tambores, na travessia dolorosa que marca nossa história. Com sensibilidade, a poeta transita entre o íntimo e o coletivo, entre a saudade e a esperança, entre as lágrimas de menina e a força de quem segue em frente. Seus poemas celebram o amor em suas múltiplas formas, honram os que partiram e encontram beleza mesmo nos silêncios. Este é um livro para ser degustado lentamente, como o café coado no fogão à lenha. Cada poema é um convite para reconhecer nossas raízes, celebrar nossa existência e compreender que algumas palavras, assim como algumas pessoas, deixam marcas eternas. Maré de Vênus Uma obra poética que celebra e explora a força, a dor e a resiliência das mulheres. Dividido em três partes — "A Capa da Heroína", "A Pétala de Aço" e "O Lilás da Aurora" —, o livro navega por temas como amor, violência, ancestralidade, sororidade e libertação. Com uma linguagem sensível e poderosa, a autora homenageia figuras femininas históricas e anônimas, transformando suas lutas e vitórias em versos que refletem a maré de emoções e transformações que toda mulher experiencia. Uma leitura essencial e comovente sobre a condição das mulheres. O livro pode ser adquirido direto com a autora ou pelo site da Editora Donizela: https://www.donizela.com/product-page/mar%C3%A9-de-v%C3%AAnus
- SARAU COLETIVAS 2
O SARAU COLETIVAS, ação movida pelo Coletivo Marianas em parceria com a Biblioteca Pública do Paraná, reúne coletivos literários e artísticos comprometidos com a transformação social, democratização do acesso à cultura e enfrentamento às opressões. Cada coletivo atua em sua frente específica de luta e resistência. Sarau Coletivas 2 A primeira edição aconteceu em 28/06/25 com os coletivos Pretas com Poesia, Vozes Escarlate e Marianas. A segunda edição acontece em 13/12/25, das 10h30 às 12h, no hall de entrada da BPP, com a participação de: 🎤 Batalha das Feiticeiras (slam) 🩰 Coletivo Erótica (dança e performance) 📚 Coletivo Marianas (literatura) ✊🏾 Coletivo Pretas com Poesia (literatura e música) 🧠 Mobiliza PSI-PR (psicologia) 🔄 Pontes da Psicanálise (psicologia) Mediação: Lays Faria Fotografia: Nicoly Oliveira Sobre os coletivos 🎤 Batalha das Feiticeiras Projeto idealizado e produzido por Cacaia, Emy, Jucarolis, Lilith e Nyx com o objetivo de fomentar a cena Hip-hop feita por mulheres e pessoas trans, criando redes de apoio, promovendo o conhecimento e fortalecendo a representatividade na cena underground de Curitiba. Surgindo em agosto de 2025, a partir da vontade de fundir o quinto elemento da magia — o espírito e a essência — com o quinto elemento da cultura Hip-Hop: o conhecimento. Com a apropriação do espaço da CEU (Casa do Estudante Universitário), lugar onde mulheres eram impedidas de morar até 2014, a BDF representa a virada que presenciamos no cenário político e musical do rap brasileiro, onde mulheres e outras minorias não querem ter suas narrativas contadas por outrem, mas sim assumir uma posição de controle e protagonismo perante a própria história. Instagram: @batalhafeiticeiras 🩰 Coletivo Erótica Grupo de dança independente que reúne artistas do movimento, que exploram seus desejos e prazeres a partir da estética da dança Heels. Em um jogo que brinca com o mistério e sedução, pesquisamos, estudamos e criamos obras de dança, cujo viés investigativo parte da dança que se faz no salto alto. Atualmente somos um grupo que conta com 11 artistas-intérpretes, majoritariamente mulheres e comunidade LGBTQIA+. Criado em 2022, o coletivo exalta arte, dança e empoderamento, explorando as subjetividades dos corpos humanos em termos estéticos, em diferentes vivências, unidas pela vontade de dar e ver nossa libido. Para nós o erotismo é um modo de ser e estar no mundo. Através da dança (re)encontramos diariamente nossa voz, nosso corpo, nós. Instagram: @coletivoerotica 📚 Coletivo Marianas Grupo literário e artístico feminista fundado em 2014 em Curitiba, dedicado a fortalecer a presença e a identidade das mulheres no cenário cultural. Sua atuação concentra-se na divulgação de trabalhos com autoria de mulheres, por meio da realização de saraus, palestras e debates que ampliam a visibilidade e fomentam discussões sobre produção artística e literária de mulheres. O coletivo também participa ativamente de feiras e festivais literários e publica obras de suas integrantes em parceria com editoras. Seu nome homenageia Mariana Coelho (1857-1954), educadora e feminista pioneira que atuou em Curitiba e dedicou sua vida à emancipação feminina. Em outubro de 2024, o coletivo alcançou o importante marco de ser certificado como Ponto de Cultura. Instagram: @coletivomarianas ✊🏾 Coletivo Pretas com Poesia Coletivo formado por mulheres negras que compartilham o amor pela poesia e pelas intervenções artísticas com palavras. Criado em 2023, busca promover representação e visibilidade para mulheres negras na cena artística, oferecendo um ambiente inclusivo para compartilhar produções poéticas e debater questões que impactam suas vidas na sociedade. Idealizado pela multiartista Jô Macario, o grupo realiza saraus e participa ativamente de feiras e festivais literários, além de contar com duas publicações coletivas: Pretas com Poesia 1 (2024) e Pretas com Poesia 2 (2025), que reúnem escritos e escrevivências de suas integrantes. Instagram: @pretascompoesia 🧠 Mobiliza Psi-PR Movimento classista e militante de trabalhadores e estudantes de Psicologia que surge para reorganizar a categoria em Curitiba e no Paraná, combatendo a precarização da profissão e lutando por condições dignas de trabalho. Com uma construção coletiva, o movimento defende uma política revolucionária para a Psicologia, entendendo que a luta pela saúde mental e pelos direitos da categoria é indissociável da luta de classes, antirracista, antimanicomial e de enfrentamento a todas as opressões. Sua atuação concretiza-se na resistência ampla contra a exploração da classe trabalhadora, por meio de mobilização nas ruas, territórios, sindicatos e Sistema Conselhos. Instagram: @mobilizapsipr 🔄 Pontes da Psicanálise O Coletivo Pontes da Psicanálise oferece atendimentos psicanalíticos gratuitos e públicos na Praça do Derby, em Recife, todos os sábados, das 10h às 12h. Simultaneamente aos atendimentos, acontece uma roda de estudos aberta, onde participantes e interessados se reúnem para refletir sobre a teoria e a prática psicanalítica. O coletivo busca promover a escuta psicanalítica como um serviço acessível e contínuo, com base na teoria e prática psicanalítica por um viés descolonial e antirracista. O texto inaugural está disponível on-line. O Pontes também realiza outras atividades como eventos e publicações. Acreditamos que o nosso coletivo representa uma iniciativa para a democratização do acesso à psicanálise, levando a escuta analítica para um espaço público e acessível a todos, assim como levanta significativas discussões sobre novas bases epistemológicas para a psicanálise. Instagram: @pontesdapsicanalise
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | dezembro de 2025
Em dezembro de 2025, o Coletivo Marianas apresenta Mariana e as conchas , com a autora Rosana Barroso (Zaninha Miranda), e Clara Camarão , com a autora Lindamir Salete Casagrande , das 11h15 às 12h15, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Mariana e as conchas Clara Camarão Neste livro você conhecerá a história de Clara Camarão, mulher indígena da etnia Potiguar que aprendeu a arte da guerra. Aprendeu a manejar com destreza o tacape, a lança, e o arco e flecha. Com inteligência aguçada, era exímia estrategista e liderava com maestria um pelotão de mulheres indígenas que seguia alinhado aos interesses portugueses na luta contra a invasão do Nordeste brasileiro pelos holandeses. Clara foi a líder do grupo de mulheres que expulsou os holandeses da aldeia de Tejucupapo e teve papel relevante na Batalha dos Guararapes, vencida pelos portugueses e que sacramentou a expulsão dos holandeses das terras brasileiras. A história de Clara ficou por muito tempo esquecida e quase foi perdida, mas recentemente criou-se um movimento de resgate e popularização dessa história. Este livro é uma peça desse movimento.
- Eventos do Coletivo Marianas em outubro e novembro de 2025
Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (04/10) Apresentação de Poemas para brincar nas quatro estações , com a autora Francine Cruz e a ilustradora Débora Bacchi ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná 82° Letra de Mulher (05/10) Apresentando: Todos os lugares que habitei , de Danielle S. Pacheco Pele plana , de Danielle Rech Abismos e (in)finitudes , de Maristela Ono com mediação de Tânia d'Arc ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta – Largo da Ordem, R. Cel. Enéas, 30 – Centro, Curitiba (PR) Feira Estopim (11/10 e 12/10) Exposição de livros e outras artes gráficas das integrantes do Coletivo Marianas ⏰ 14h às 20h 📍 Alfaiataria – R. Riachuelo, 492 – Centro, Curitiba (PR) Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (18/10) Apresentação de Uma rua de todas as cores , com Priscila Prado ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná FLAPE – Feira Literária Lapeana (25/10 e 26/10) Participação e apoio à FLAPE , feira literária organizada pelo coletivo Vozes Escarlate , liderado por Ná Silva e Neysi Oliveira . Lançamento da Antologia suja , organizada pelo Vozes Escarlate e apoiada pelo Coletivo Marianas. ⏰ Sábado: 8h às 20h30 ⏰ Domingo: 8h às 18h30 📍 Escola da Música João Franco Mariano – Centro Histórico da Lapa (PR) Oficina de publicação autônoma (28/10) Oficina ministrada por Andréia Carvalho Gavita na biblioteca do CIFLOMA UFPR ⏰ Domingo: 17h às 20h 📍 Av. Prefeito Lothário Meissner, 632 – Jardim Botânico, Curitiba – PR Roda de conversa com Coletivo Marianas (29/10) Roda de conversa com as autoras Francine Cruz e Maria Lorenci na biblioteca do CIFLOMA UFPR ⏰ Domingo: 18h às 20h 📍 Av. Prefeito Lothário Meissner, 632 – Jardim Botânico, Curitiba – PR FLIPIRA – 1ª Feira Literária de Piraquara (01/11) Sarau com Coletivo Marianas na FLIPIRA 📍 Piraquara Feira Mamute (08/11) Exposição de livros e outras artes gráficas das integrantes do Coletivo Marianas ⏰ 11h às 20h 📍 Praça Eufrásio Correia 83° Letra de Mulher (09/11) Apresentando: Pretas com Poesia 2 , antologia do coletivo Pretas com Poesia ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta – Largo da Ordem, R. Cel. Enéas, 30 – Centro, Curitiba (PR) Retro Games PR (22/11 e 23/11) Exposição de livros e outras artes gráficas das integrantes do Coletivo Marianas com apoio da Literatiba . ⏰ Sábado: 10h às 23h ⏰ Domingo: 12h às 21h 📍 Shopping Estação – Curitiba (PR) Book Valley by Literatiba no ACE 2025 (29/11 e 30/11) Exposição de livros e outras artes gráficas das integrantes do Coletivo Marianas com apoio da Literatiba no All Collections Expo (ACE). ⏰ Sábado: 11h às 20h ⏰ Domingo: 11h às 20h 📍 Arena da Baixada
- Batidas no Vidro...um texto de Cintia Ishizaka
As batidas chegaram antes dela. Socos secos no vidro do consultório, urgentes como coração acelerado, ritmados como quem chama pela vida. Não eram batidas de quem aguarda. Eram pancadas de quem desaba. Cada uma delas uma sílaba muda gritando: estou aqui, me veja, eu existo, não escolhi minha cor mas escolho não morrer. Quando abri a porta, a vi curvada. Não curvada de anos - tinha pouco mais de quarenta -, mas curvada de peso. Desse peso que não se mede em quilos, que não aparece em raio-x, que não cabe em diagnóstico. Peso de quem carrega gerações nas costas. Pele da cor do café torrado, mãos que sabem de terra, corpo que entrou apressado trazendo um encaminhamento médico numa mão e o desespero na outra. Seu nome poderia ser Maria. Ou Tereza. Isolda. Rosalina. Um desses nomes que atravessam o tempo levando dentro de si a história de tantas. Nomes de mulheres da terra vermelha, do norte que sangra café, de quem planta feijão entre o milho e sabe que da mistura nasce a fartura. Sentou-se na beirada da cadeira. Como quem não cabe. Como quem não ousa ocupar espaço. Como quem está pronta para fugir do próprio desamparo. E então, trêmula por dentro, começou a desaguar: — Fazem dias que eu choro. Dias. Não disse " fazem alguns dias" ou "muitos dias". Disse simplesmente: fazem dias. Como se o tempo tivesse se tornado uma massa indistinta de lágrimas. — Eu só durmo até as três horas da manhã. Aí eu levanto e de joelhos no chão retomo a minha fé. Fé de que um dia isso passará. Que a mão divina, como que um raio, há de me tirar desse sofrimento. Simplesmente porque dele sou filha. Três da manhã. A hora em que o mundo ainda dorme e os desgraçados acordam. A hora dos joelhos no chão frio. A hora da negociação com Deus. A hora em que ser filha do sofrimento é identidade, herança, destino. Perguntei de onde vinha. Ela ergueu a cabeça - devagar, de lado, como quem arrisca acreditar - e me olhou nos olhos pela primeira vez. E sorriu. Pela primeira vez desde que entrara, sorriu. E disse, orgulhosa: — Sou da roça. Da roça. Nesse da "da roça"; havia terra debaixo das unhas. Havia rio que se encontra com rio. Havia peixe que dá bom de comer e sol que dá bom de sentir. Havia a beleza de ver o pimentão crescer na estufa, o milho abraçado com o café e o feijão, essa trindade de alimento que alimenta o Brasil que depois a cospe fora. Havia uma cidade de cinco mil habitantes. Pequena o bastante para caber no peito. Grande o bastante para acolher quem foi abandonado. Porque ela foi abandonada. Pelo marido que a deixou numa casa a catorze quilômetros da cidade, com cinco filhos e nenhuma compra. Catorze quilômetros. A distância entre a fome e a faxina. Entre o desamparo e a dignidade. E ela escolheu a dignidade. Trabalhou em empresa de trezentas pessoas e nunca, nunca teve confusão. — Mas aqui... Aqui. A cidade grande. A promessa. A armadilha. Ela não escolheu sair da roça. Foi empurrada. Foi arrancada. Um bandido ameaçou sua filha - ia matá-la, jogar no poço, cortada. A violência masculina expulsando mais uma mulher de sua terra. A migração como ferida. O desenraizamento como sobrevivência. E na cidade grande - essa que deveria acolher, proteger, incluir - encontrou outra violência. Mais sofisticada. Mais cotidiana. Mais lenta de matar: — Aqui sou acusada da minha cor. Pausa. — E lá, alguém escolhe a cor que vai nascer? A pergunta ficou suspensa entre nós. Simples como um soco. Devastadora como a verdade. Sem resposta porque a resposta é o silêncio constrangido de um país que não se olha no espelho. — Meu cheiro incomoda com quem eu trabalho. Cheiro. Ela disse cheiro. Como se corpo negro fedesse por decreto. Como se limpeza não bastasse. Como se acordar às cinco da manhã com dois graus de temperatura, banhar-se no frio que morde a pele, passar talco, vestir-se com cuidado - nada disso bastasse para apagar o pecado de ter nascido negra. — Logo eu, que levanto às cinco da manhã e me banho. Passo talco. Na mesa não sento não. E a água eu tomo sem tratar, do tanque mesmo. Ela não senta à mesa. Ela, que acordou antes do sol. Ela, que trabalha sem reclamar. Ela, que é invisível até incomodar por existir. A 'moça branca e pequena"; que é sua encarregada decidiu: você incomoda. Sua cor incomoda. Seu cheiro incomoda. Você incomoda. — Foram três anos assim. Mas não consigo mais. Três anos. Mil e noventa e cinco dias acordando às cinco da manhã para ser acusada de feder. Mil e noventa e cinco dias não sentando à mesa. Mil e noventa e cinco dias se fazendo pequena, menor, invisível. — O dono da casinha onde eu moro me perguntou onde eu estava. Que de mim não se ouvia nem os passos. Nem os passos. Ela apagou até os passos. Ela, que vinha da terra onde havia espaço para correr. Ela, que criou sozinha cinco filhos. Ela, que trabalhou sem parar. Apagou os passos para não incomodar quem a julga pelo crime de existir. — Eu fico em casa quietinha. Esperando o Natal chegar para voltar para a minha cidade de cinco mil habitantes. Natal. A festa do nascimento. A festa da volta. A única esperança: regressar. Voltar para onde os passos podem ecoar. Voltar para onde a cor da pele não é acusação. Mas antes de sair, ela me contou de Tito. — Meu filho era o mais doentinho. Eu sempre falei pra ele: Tito, meu filho, você não vai dar pra enxada não. Vai ter que estudar. Porque a vida sem estudo é muito difícil. Veja eu, que fui distraída e deixei o tempo de estudar passar. Distraída. Ela chamou de distração ter ido para a roça aos sete anos de idade. Ter trabalhado a vida inteira. Ter sido faxineira para alimentar cinco bocas. Chamou de distração o que foi roubo. Roubo de infância. Roubo de escola. Roubo de futuro. Mas Tito ela salvou. O menino doente virou professor. E um dia trouxe para a mãe uma bolacha boa. — Ele me disse: "Mãe, hoje eu posso comprar uma bolacha boa. E quero estudar até os meus cinquenta". A bolacha boa. Esse símbolo pequeno, doméstico, imenso. A bolacha que antes tinha que durar para cinco. A bolacha que era promessa de que um dia haveria fartura. A bolacha que agora é prova de que o filho venceu, de que a mãe venceu, de que o amor vence. Quando ela me contou da bolacha, os olhos brilharam. Ali estava tudo. A vitória não é de quem chega no topo. A vitória é da bolacha boa comprada com dignidade. É do filho que quer estudar até os cinquenta anos lembrando da mãe que não pôde estudar aos sete. Enquanto ela falava, eu pensava: Quantas Marias batem nas portas de vidro deste país? Quantas mulheres negras, arrancadas de suas terras, encontram nas cidades não o futuro mas a humilhação? Quantas têm a cor transformada em culpa, o cheiro em crime, a existência em incômodo? Quantas ouvem do pastor na televisão que seu tempo está acabando? Quantas saem depois da última humilhação - sempre tem uma última que antecede a saída? Quantas pedem força a Deus porque dos homens não vem justiça? Mas penso também na terra vermelha. No rio que encontra rio. No peixe. No pimentão. No filho professor. Na bolacha boa. Na fé ajoelhada às três da manhã. Na teimosia de quem resiste. Porque Maria - Tereza, Isolda, Rosalina, todas elas - não escolheu a cor que nasceu. Mas escolhe, madrugada após madrugada, levantar, banhar-se, lutar, amar, não desistir. E quando o Natal chegar, ela voltará. Pisará novamente a terra que a reconhece. Verá o pimentão na estufa. Pertencerá. Porque pertencer é direito. Porque terra é mãe. Porque roça é origem. Ninguém deveria ter que apagar os próprios passos para existir. Ninguém deveria ter que negociar com Deus, de joelhos, às três da manhã, o direito de não sofrer. Mas enquanto houver quem bata no vidro como quem pede socorro, estaremos aqui. Ouvindo. Testemunhando. Escrevendo. Para que a história dela - e de tantas - não se perca no silêncio que querem impor. Texto inspirado em história verídica. Dados modificados para preservar o sigilo profissional.
- 83° Letra de Mulher: lançamento de "Pretas com Poesia 2" e "Antologia suja"
O 83° Letra de Mulher apresenta o lançamento dos livros Pretas com Poesia 2 , do grupo Pretas com Poesia, e da Antologia suja , dos coletivos Vozes Escarlate e Marianas. As autoras apresentarão as obras, farão roda de canto e conversa e leitura com as pessoas presentes. Haverá também venda dos livros e sessão de autógrafos. O evento é aberto ao público e acontece no dia 9 de novembro de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Pretas com Poesia 2 O segundo volume de Pretas com Poesia foi organizado por Evelin Moreira , Laura Pinheiro e Vênus , com revisão de Sandra Andréia Ferreira , ilustrações de Bruna Bastos Santos, prefácio de Ana Agnolo , orelha de Shirley Pinheiro e projeto gráfico e diagramação de Andréia Carvalho Gavita . Reúne poemas e prosas (escrevivências) de 40 autoras do coletivo Pretas com Poesia: Adriana Alexandre , Amanda Metka, Ana Agnolo, Ana Camille Kroin, Ari, Claudia Maria Ferreira, Cristina Silveira de Oliveira, Céu Intense, Dandara Souza Maria, Dankialunda, Dany Teixeira, Elaine do Carmo, Eva Coller, Evelin Moreira, Gigi Neves, Isa Cunha, Jô Macario , Julia Thomaz, Juliana Moura, Laura Pinheiro, Lucilene Soares, Lucimar Rosa Dias, Marcelly Cruz, Maria Helena Alves Pereira, Marti Melo, Maureen Reis, Melanina, Nará Souza Oliveira, Sandreia, Shirley Pinheiro, Sol do Rosário, Sol Rosa, Soul Dani, Sueli Crespa, Vera Paixão, Victoria Luiza, Vânia Rodrigues, Vênus e Will Amaral. O livro pode ser adquirido direto com as autoras, organizadoras e outras profissionais envolvidas ou pelo site da Editora Donizela: https://www.donizela.com/product-page/pretas-com-poesia-2 Antologia suja Organizada por Ná Silva (que também assina a ilustração da capa), Neysi Oliveira e Débora Bacchi , com revisão de Letícia Lopes , projeto gráfico e diagramação de Andréia Carvalho Gavita, ilustração no verso das capas de Jaqueline Prestes e orelha de Rita Delamari , esta poderosa antologia reúne 55 coautoras (textos e ilustrações) para desconstruir a ideia de "sujeira" que historicamente foi usada para oprimir e dominar os corpos das mulheres. Uma iniciativa do Vozes Escarlate em parceria com o Coletivo Marianas. Coautoras: Adriana Alexandre, Adriana Tozzi , Andréia Carvalho Gavita, Angela Gurski Ferrari Campos, Bianca Stadinicki Pechiski, Cida Varela , Daniela Amaral , Danielle Psique , Danielle Rech , Débora Bacchi , Elciana Goedert (Ciça) , Fernanda Polati, Francine Cruz , Gla Heil, Ilda Maria Natal, Isabelle Neri, Jaqueline Prestes, Je Iancoski , Ji Negrão , Jô Macário , Júlia Duarte da Cunha, Lara Peter , Laura Monte Serrat , Laura Pinheiro , Leni Machado, Letícia Lopes , Lívia Lugão, Luciana do Rocio Mallon , Maísa Cardoso , Mara Mattero, Mariana Alves Leal, Mariane Ferreira de Campos, Marília Diaz, Maristela Ono , Melissa Reinehr , Monique Negrão, Nina Collere, Ná Silva , Neysi Oliveira , Priscila Prado , Raphaela Lopes Ramos, Rebeca Salin, Roberta Busemeyer, Rosana Barroso Miranda , Rosane Lara, RozeMeire dos Reis , Samy, Shirley Pinheiro , Susan Blum , Tamyris Torres , Tânia d’Arc , Thais Cristina Rodrigues, Valeria Borges da Silveira , Verônica Souza . O livro pode ser adquirido direto com as autoras, organizadoras e outras profissionais envolvidas ou pelo site da Editora Donizela: https://www.donizela.com/product-page/antologia-suja
- Adriana Alexandre
Adriana da Silva Alexandre Felipe (Adriana Alexandre) é mulher negra, natural de Paranavaí (PR), onde começou a escrever e se apaixonar por letras. Atualmente, reside na Lapa (PR) e tem o sangue lapeano por parte de mãe. É filha de pai mineiro, cidade próxima de Curvelo. É liderança da CRQuilombola da Restinga. É enxadrista e um pouco agricultora. Faz voluntariado, é professora, pedagoga, poeta e adepta dos artesanatos. Uma pessoa que se expressa com as palavras, se dedica a ser livre e a ler o mundo com outros olhos. Alguns trechos da autora A dor do outro Numa determinada rua Num determinado lugar Parei e pensei O meu próximo precisa de mim Precisa do meu conforto. Hoje, por acaso, posso dizer que a saudade bate forte. Não posso determinar o tempo, Mas a dor de não sentir… Não ver mais… Não tocar e acariciar… Não ouvir suas histórias e causos, além de muitos conselhos Bateu forte a saudade, sim bateu aquela dor no peito. O engasgo e as lágrimas a cair pelo meu rosto. Esse sentimento de não pertença. Essa sensação de que feri bem profundamente. Sei que os momentos de ida a seu encontro, viraram nostalgias. As bênçãos e bença ao bom encontro e nas saídas não serão mais recitadas. Aqueles preparos de culinária caseira que só com seu pitaco tinha todo sabor… não serão os mesmos. Esse sentimento virou a perda e reluz. Essas serão somente memórias, De que um dia Tive a honra de sua companhia. Por um bom tempo na história de vida, aprendi, acreditei e respeitei. E por fim, sentir que a dor do outro está em mim mesma. Bença tia!!! Publicado no livro Cem poemas de saudade , pela RV. Conquistando – resistindo O meu eu, me define Mulher, negra… Cabelo …se dedico este poema é por encorajamento para quem tem cabeleira, juba, mechas, ou seja cabelo ou não… Ambos publicados no livro Pretas com poesia , pela Donizela. Coautoria Amélia e Setembrina (2017) Poesia livre (Vivara, 2022) Sangue sobre (t)ela (Donizela, 2023) Pretas com poesia (Donizela, 2024) Saúde mental das mulheres (Donizela, 2024) O amor é um grito (TAUP, 2024) Intolerância religiosa (Donizela, 2024) Cem poemas de saudade 2a ed. (RV, 2024) Coletânea Internacional Café com Leni , vol. 3 (Leni Zilioto, 2024) Marianas 10 (Anadara brasiliana Edições/Donizela, 2024) Intolerância: da fé à fúria (Donizela, 2024) Salubria: saúde mental das mulheres (Donizela, 2024) Marítimas (Anadara brasiliana Edições, 2024) Mulherio das Letras Paraná – poesia (Anadara brasiliana Edições/Donizela, 2024) Cem poema de gratidão (RV, 2025) Pretas com poesia 2 (Donizela, 2025) Antologia suja (Donizela, 2025) Coletânea poética internacional Café com Leni e convidados (Kindle, 2025) Protea – Buscas ancestrais (2025) Escrituras Negras VI – escrevivências (2025) Saiba mais sobre Adriana Alexandre Instagram Facebook Publicado por: Tânia d'Arc
- Antologia suja, organizada por Ná Silva, Neysi Oliveira e Débora Bacchi
Sinopse Esta poderosa antologia reúne 55 coautoras (textos e ilustrações) para desconstruir a ideia de "sujeira" que historicamente foi usada para oprimir e dominar os corpos das mulheres. Uma iniciativa do Vozes Escarlate em parceria com o Coletivo Marianas . Coautoras: Adriana Alexandre , Adriana Tozzi , Andréia Carvalho Gavita , Angela Gurski Ferrari Campos, Bianca Stadinicki Pechiski, Cida Varela , Daniela Amaral , Danielle Psique , Danielle Rech , Débora Bacchi , Elciana Goedert (Ciça) , Fernanda Polati, Francine Cruz , Gla Heil, Ilda Maria Natal, Isabelle Neri, Jaqueline Prestes, Je Iancoski , Ji Negrão , Jô Macário , Júlia Duarte da Cunha, Lara Peter , Laura Monte Serrat , Laura Pinheiro , Leni Machado, Letícia Lopes , Lívia Lugão, Luciana do Rocio Mallon , Maísa Cardoso , Mara Mattero, Mariana Alves Leal, Mariane Ferreira de Campos, Marília Diaz, Maristela Ono , Melissa Reinehr , Monique Negrão, Nina Collere, Ná Silva , Neysi Oliveira , Priscila Prado , Raphaela Lopes Ramos, Rebeca Salin, Roberta Busemeyer, Rosana Barroso Miranda , Rosane Lara, RozeMeire dos Reis , Samy, Shirley Pinheiro , Susan Blum , Tamyris Torres , Tânia d’Arc , Thais Cristina Rodrigues, Valeria Borges da Silveira , Verônica Souza . Mais informações Organização: Ná Silva, Neysi Oliveira e Débora Bacchi Editora: Donizela Revisão: Letícia Lopes Ilustração da capa: Ná Silva Ilustração do verso das capas: Jaqueline Prestes Orelha: Rita Delamari Projeto gráfico e diagramação: Andréia Carvalho Gavita Adquira direto com as autoras e organizadora ou pelo link: https://www.donizela.com/product-page/antologia-suja Contato das organizadoras Instagram: https://www.instagram.com/na_silva_____/ https://www.instagram.com/neysioliveira/ https://www.instagram.com/de.bacchi/ E-mail: cdasilvanayara@gmail.com neysi.oliveira@gmail.com Publicado por Tânia d'Arc
- Envelhecer dói...um texto de Arali Padilha
A dor de existir entre quem não sente mais sua falta. Aos poucos minha existência está se apagando, mas eu ainda estou aqui, com as dores de um corpo velho, preocupada com as necessidades médicas que mobilizam os filhos a me ajudarem já que nem ir e vir sozinha eu posso mais. Não entendo o que me dizem, os médicos falam tão complicado, me sinto tão perdida diante deles e no meio daquela explicação toda de doença, remédio, cuidados eu desligo, minha mente vagueia pelo vazio, revisita o passado, tudo foge ao meu entendimento. Não faço por mal, só não consigo mesmo. E isso vai muito além de não entender um médico. Não entendo mais a vida. As pessoas me ignoram. Minha opinião já não importa, sou taxada de arcaica, retrógrada. Esses dias, enquanto conversava e contava uma história que vi na TV com o Padre Fábio, percebi que meus filhos olhavam pro nada, pensando em suas vidas, fingindo que me ouviam. Este mundo de hoje é muito estranho, as pessoas vivem com a cara no celular, tudo se resume àquele maldito aparelho, que por sinal é outra armadilha, vira e mexe eu quero conversar e todos estão olhando pro aparelho em suas mãos, às vezes acho que fazem de propósito com o intuito de me ignorar mesmo. Cresci num mundo sem tecnologia. Nos comunicávamos por cartas. Telefone era raro, só gente rica tinha, mas mesmo assim era mais fácil, discava um número, conversava, desligava. Pronto. Nunca entendi como funcionava, mas também não precisava. Era simples. Agora com o celular é tudo tão complicado, restringiu toda nossa vida ali e por mais que meus filhos me expliquem não entra na minha cabeça. Banco, posto de saúde, aplicativo da água, da luz, tudo ali naquele aparelho, sem contar as tais redes sociais onde as pessoas se expõem, postando fotos e desabafos. Sei que facilita a vida, mas não consigo mais aprender tanta coisa, é um “aperta aqui, clica ali” que no meio de tantos comandos, me perco. Os jovens ficam irritados com a minha lentidão, ou até mesmo a minha resistência a toda essa tecnologia, é tão difícil que muitas vezes desisto de tentar. Nesse emaranhado, quase caí num golpe. Ligaram dizendo ser do banco, mas por sorte na hora meu neto estava por perto e viu minha reação meio perdida, sem saber o que fazer e me salvou. Fizeram o maior auê, indignados por eu ter sido tão burra. Senti alívio por ter alguém por perto na hora, mas a vergonha que fiquei não cabia em mim, passei um bom tempo afastada deles, tamanho era meu constrangimento em perceber o quanto eu era frágil. Me aposentei há alguns anos, mas não por vontade própria, por mim continuaria trabalhando, porém o corpo já não estava dando conta da rotina que se tornava pesada para uma mulher que viveu mais que a expectativa de vida apontada pelo IBGE na virada do século. A incontinência piorara, as dores nos joelhos e nas costas me castigavam. Nos últimos tempos as pessoas evitavam me passar qualquer tipo de trabalho, cada dia que passava mais tempo ocioso eu tinha, quando me oferecia pra ajudar não aceitavam, tinham que me explicar e com a minha lentidão cognitiva demorava pra aprender, perguntava várias vezes as mesmas coisas, via no rosto deles a impaciência, percebia os cochichos pelos cantos, sabia que se reuniam e nunca me chamavam. Uma das últimas manhãs que antecedeu minha aposentadoria, escutei uma das minhas colegas dizer “Os pensamentos da Dona Eulália cheiram a naftalina”, chorei. Naquele dia pedi pra sair mais cedo, estava magoada, perplexa. Talvez ela tivesse razão, eu realmente havia parado no tempo. Decidi me aposentar, o que antes preenchia meus dias vazios agora estava me deprimindo. A dor da solidão é nauseante. Já não faço parte da vida de ninguém, já criei meus filhos, que agora criam meus netos, todos tão ocupados com seus mundos, trabalhos, natação, academia, aula disso, aula daquilo. Nos finais de semana mal nos vemos, preferem os almoços com seus amigos, com os amigos dos filhos. Quando sobra um domingo pra visitar a mãe, lá estou eu reclamando de doenças, das dores que insistem em ficar e indignada com as novas músicas que os jovens escutam, uma pouca vergonha isso, aquele monte de palavrões que qualquer um pode ouvir. Outra coisa que me custa a aceitar são essas mudanças todas que aparecem na TV. Nasci no ano da guerra, vivi escassez, vivi recessão, vi moedas que valiam num dia e no outro não serviam pra mais nada, aprendi a entender o mundo como era, ou como eu achava que era. Mas agora já não sei. Na novela das oito, todo dia aparece um casal diferente, dois homens se relacionam, de repente são duas mulheres se beijando. Meu neto mais novo ri dizendo que é normal, mas isso me causa repulsa. Esses dias ele trouxe o namorado aqui pra eu conhecer, um menino educado, me chamou de senhora e até tirou a louça do café da mesa, deixando tudo bem organizadinho na pia, sorri, agradeci, mas não consegui olhar nos olhos dele. Pro Carlinhos eu fui super descolada, até me abraçou quando foram embora em agradecimento por ter tratado seu namorado tão bem, como se a minha aprovação fosse muito importante. Mal sabia ele que aquele abraço me doía mais que minhas juntas inflamadas. As novelas trazem muito isso agora, até os negros mudaram na TV, antes só apareciam nas novelas que falavam sobre escravidão ou quando retratava os moradores das favelas. Agora estão em todo lugar, são doutores, empresários, políticos. Meu filho diz que é assim mesmo, que as novelas têm que retratar a realidade, mas pra mim é só um jeito que acharam pra nos convencer, virar o mundo de cabeça pra baixo. Rezo pra Deus me ajudar nesse entendimento todo, mas as vezes acho que Ele também está ocupado demais com essas novidades. Pra não dizer que minha vida é um tormento completo, uma vez por mês me permito ir no bingo que tem no salão de festas do bairro e passo um tempo com pessoas que estão no mesmo barco que eu. São boas companhias. Dona Célia sempre tem uma fofoca pra me contar, e o Seu Gervásio conta piadas tão ruins que até eu, ranzinza eu sou, dou risada. A gente conversa sobre os netos, uma conta da novela caso a outra tenha perdido algum capítulo. Fazemos até competição de dores e por algumas horas esqueço que a vida é dolorida. Meu filho vive dizendo que preciso interagir com pessoas iguais a mim, pra tentar me livrar da solidão, exercitar meu cérebro, então eu vou, é até divertido, mesmo sabendo que não são amigos de antigamente, mas a gente até que se entende bem. Meus amigos de antes…ah, meus amigos! A maioria já morreu. Meus irmãos, os que estão vivos estão piores do que eu, e acabo preferindo ficar longe, afinal é desgraça atrás de desgraça, ninguém gosta de escutar isso. Até meus atores favoritos estão morrendo. De repente surge no jornal a notícia da morte daquele ator bonitão que eu acompanhava nas novelas desde menina. Tarcísio Meira, Francisco Cuoco, Mário Lago, Nair Bello, todos se foram, até Silvio Santos já se foi, e eu ainda estou aqui. Chego a pensar que Deus não me quer. Questiono se sou tão ruim assim que nem Deus nem o Diabo me querem por perto me deixando aqui, sobrevivendo, esperando lentamente a morte chegar.
- Conforto solitário é um texto de ... Adriana Tozzi
A ausência tem um peso, Se move comigo, Desliza pelos dias, Me atrasa. Busco teu nome, Teu rosto, Um reflexo torto na vidraça embaçada da cafeteria, Mas tudo é opaco, Sem respostas. Ainda assim, te vi na curva de um riso, Na dobra do casaco de um estranho, Nos gestos suaves da moça de dedos finos. O passado me habita, Teu nome permanece em minha boca, Preso entre os dentes, Dito e desdito. E como se o tempo nada soubesse, Torço para que a morte me leve, E assim nos encontremos outra vez.
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | outubro de 2025
Em outubro de 2025, o Coletivo Marianas apresenta Poemas para brincar nas quatro estações , com a autora Francine Cruz e a ilustradora Débora Bacchi , e Uma rua de todas as cores , com a autora Priscila Prado , das 11h15 às 12h15, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Sobre Poemas para brincar nas quatro estações Poemas para brincar nas quatro estações contém 40 haicais que reúnem num mesmo cenário os encantos da natureza e as alegrias da infância em cada uma das estações do ano. Como o nome já diz, são pequenos poemas a serem experimentados por crianças de todas as idades, até mesmo as que já são avós, mas mantém os sonhos e o entusiasmo da infância. Sobre Uma rua de todas as cores Alegria, cores e brincadeiras acompanham o dia a dia de uma criança que estuda, se diverte com os vizinhos, colegas, amigos. Gosta de banho de chuva, de experimentar novos quitutes e, principalmente, de brincar com Jujuba, a mascote da rua. De cirandar, de apostar corrida… Uma criança como todas as outras!
- 82° Letra de Mulher: lançamento de "Todos os lugares que habitei", "Pele plana" e "Abismos e (in)finitudes"
No 82° Letra de Mulher, o Coletivo Marianas apresenta o lançamento dos livros Todos os lugares que habitei , de Danielle Pacheco , Pele plana , de Danielle Rech , e Abismos e (in)finitudes , de Maristela Ono , com mediação de Tânia d'Arc . As autoras apresentarão suas obras, farão roda de conversa e leitura com as pessoas presentes, haverá venda dos livros e sessão de autógrafos. O evento é aberto ao público e acontece no dia 5 de outubro de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Todos os lugares que habitei Danielle S. Pacheco retorna para todos os lugares que habitou neste conjunto de poesia, buscando a integração do real e do imaginário, de viver em diferentes lugares e ser tocada por todos eles de formas diferentes em diversos momentos da vida. Compre direto com a autora ou pelo link: https://mpago.la/2UKyiv7 Pele plana Pele plana é uma jornada investigativa. Revisita e imagina a infância construída por trilho e névoa de carvão. Um livro que acessa a densidade simbólica das células invisibilizada por acontecimentos de textura farpada. Escritos que dissecam medos nas entrelinhas, traumas, reminiscências, marcas subjetivas e fissuras encobertas por pedra britada. Pesquisa que se alimenta de palavras, danças paleolíticas, afetos soterrados, desejos crus e de figuras sagradas e eróticas. Vivências escapantes também são seu alimento. Uma experimentação poética que mapeia, cria e presentifica o corpo de uma mulher. Compre direto com a autora ou pelo link: https://www.donizela.com/product-page/pele-plana Abismos e (in)finitudes Edição bilíngue (PT/ES) ampliada da coletânea O amor ou algo assim , reúne poemas que transitam entre memórias afetivas, críticas ao negacionismo científico e reflexões sobre violências contemporâneas. Com linguagem sensível e imagética poderosa, a obra busca ampliar o acesso à literatura brasileira para leitores de língua espanhola. A capa, criada pela autora, dialoga com a poética aberta e multifacetada do texto. Compre direto com a autora ou pelo link: https://www.donizela.com/product-page/abismos-e-in-finitudes
- 81° Letra de Mulher: lançamento de "Uma mulher kaingang" e "Mulheres migrantes"
No 81° Letra de Mulher, o Coletivo Marianas apresenta o lançamento do livro Uma mulher kaingang , de Jovina Renhga , e Mulheres migrantes , organizado por María Eugenia (Maru) , Débora Bacchi e Letícia Lopes , com mediação de Danielle Pacheco . O evento é aberto ao público, faz parte da programação oficial do III Festival da Palavra e acontece no dia 14 de setembro de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Uma mulher kaingang Poemas de Jovina Renhga. Livro bilíngue: português e kaingang. Compre o livro direto com a autora ou pelo link: https://www.donizela.com/product-page/uma-mulher-kaingang Mulheres migrantes Mulheres migrantes é uma coletânea de textos poéticos e relatos pessoais de mulheres venezuelanas, colombianas e brasileiras que compartilharam suas jornadas por meio da escrita e da biodança. Compre o livro direto com as organizadoras ou pelo link: https://www.donizela.com/product-page/mulheres-migrantes
- Eventos do Coletivo Marianas em setembro de 2025
XXII Feira do Livro da Editora UFPR (03/09) Sarau do Coletivo Marianas com leitura de poemas e textos com autoria de mulheres ⏰ 18h 📍 Reitoria da UFPR – R. XV de Novembro, 1299 – Centro, Curitiba (PR) Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (06/09) Apresentação de Guardiãs de encantamentos , com Carla Viccini ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná III Festival da Palavra (11/09 – 14/09) Exposição de livros e sessões de autógrafos de obras coletivas e individuais das autoras ⏰ 10h às 21h 📍 Memorial de Curitiba, estande 14 R. Dr. Claudino dos Santos, 79 – Largo da Ordem, Curitiba (PR) 81° Letra de Mulher (14/09) Apresentando: Uma mulher kaingang , de Jovina Renhga Mulheres migrantes , org. María Eugenia (Maru) , Débora Bacchi e Letícia Lopes ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta – Largo da Ordem, R. Cel. Enéas, 30 – Centro, Curitiba (PR) Festival Ocupa Riachuelo – Primavera Latina (20/09-21/09) Exposição de livros e outras artes das integrantes do Coletivo Marianas ⏰ 10h às 20h 📍 Love City – R. Riachuelo, 492 – Centro, Curitiba (PR) Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (27/09) Apresentação de Iara , com Susan Blum ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná
- Amor Quilombola - 80 anos um poema de ... Adriana Alexandre
Como em qualquer destino o amor resiste cresce mesmo assim entre pedregulhos, pedras e cascalhos Entre sonhos e emoções de uma restinga de luta. Feliz aquele que dedicou seu tempo a ganhar seu amor, sua felicidade, sua trajetória. Mesmo na linha do tempo - renasce preserva e ao respeito. E como numa realidade e um futuro gritante, empolgante, que virou vida a dois, três , quatro, cinco a oito filhos e filhas - família grande - isso é o meu amor a semente para a prosperidade. Tudo era um desafio- destino. A alegria da infância do crescer junto, o amor resistiu anos. Meu amor foi traçado na amizade, no traçar metas, lutar junto juntos na árvore da jabuticabeira em que a história remete à lembrança e os traços que o tempo não quer apagar quer fortalecer vidas, uma família, um amor e superação de uma linha, de um rascunho - além daquela jabuticabeira, daquela estrada, daquela casinha na beira da estrada. as crianças cresceram ... minhas crianças ...eternas crianças formaram as suas e estou ao seu lado.. do livro O amor é um grito - Taup 2024
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | setembro de 2025
Em setembro de 2025, o Coletivo Marianas apresenta Guardiãs de encantamentos , com Carla Viccini , e Iara , com Susan Blum , das 11h15 às 12h15, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Sobre Guardiãs de encantamentos Na obra Guardiãs de encantamentos , a memória da infância é o tema que aproxima o leitor e que também o leva para um outro tempo, do brincar simples e livre. Assim foi para a autora, quando escutou pela primeira vez as histórias de sua mãe. Acompanhando as surpresas que permeiam a narrativa poética, as aquarela dão vida ao texto, apresentando traços da memória cultural do interior do Paraná. Além disso, nas ilustrações, os sorrisos, olhares e detalhes fazem renascer o tempo da infância, colorido e repleto de imaginação. Sobre Iara Iara é o primeiro livro infantil da autora, que traz uma sereia brasileira com medo de sair do rio Amazonas, por não querer se afogar no ar. Então foge para o alto-mar, onde encontra diversos seres que lhe dão conselhos sobre como resolver seu problema. A cada conselho, ela percebe que não daria certo para ela, até que encontra Aleia, a baleia. E descobre, nessa amizade que faz, semelhanças que a ajudam a resolver seu dilema, assim retornando para seus pais, no rio. Uma história que ajuda a criança a se descobrir, mesmo com suas diferenças, e a enfrentar seus medos.
- 80° Letra de Mulher: lançamento de "Cabelo Rosa" e "Calima canta"
No 80° Letra de Mulher, o Coletivo Marianas apresenta o lançamento do livro Cabelo Rosa , de Letícia Lopes , e Calima canta , de Sonia Cardoso , com mediação de Maria Lorenci . O evento é aberto ao público e acontece no dia 3 de agosto de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Cabelo Rosa A infância nem sempre, talvez quase nunca, é a terra dos sonhos mais alegres: é o que você verá e sentirá nas crianças e nos adultos de Cabelo Rosa : cinco histórias breves, algumas que flertam com a fantasia, outras que espelham a realidade. São sentimentos, pensamentos e aventuras da vida cotidiana de personagens que lutam com situações limite e saem — ou não — vitoriosas, mas, com sorte, mais conscientes de si mesmas e de desafios que, tantas vezes ignorados, afetam meninas e meninos. Calima canta Calima canta reúne sessenta poemas nos quais a crise ecológica, a finitude humana e a resistência se entrelaçam em versos que são ao mesmo tempo panfleto e prece, denúncia e alerta contra a devastação ambiental e as injustiças sociais e ato de cura, em que a linguagem brota como musgo entre as rachaduras do mundo. Com imagens que vão da areia do deserto à ampulheta implacável, a poesia como grito de alerta, como o assobio agudo da calima quando atravessa os fios elétricos das cidades europeias adormecidas ( Andréia Carvalho Gavita )
- Eventos do Coletivo Marianas em agosto de 2025
80° Letra de Mulher (03/08) Apresentando: Cabelo Rosa , de Letícia Lopes Calima canta , de Sonia Cardoso Mediação: Maria Lorenci ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta, Largo da Ordem Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (09/08) Apresentação de Bertha nas cataratas , com Regina Miranda ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Sarau na 44ª Semana Literária do Sesc PR (13, 14 e 15/08) Leitura de poemas com Coletivo Marianas e Mulherio das Letras Paraná ⏰ 13h às 14h nos três dias 📍 44ª Semana Literária do Sesc PR – Museu Oscar Niemeyer (MON) Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (15/08) Apresentação de Os cabelos de Alika , com Jô Vertuan ⏰ 10h30 às 12h 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Roda de leitura e conversa sobre etarismo na 44ª Semana Literária do Sesc PR (16/08) Roda de leitura e conversa sobre o livro Idade é fogo , que aborda o etarismo ⏰ 13h às 14h 📍 44ª Semana Literária do Sesc PR – Museu Oscar Niemeyer (MON)
- Coletivo Marianas e Mulherio das Letras Paraná promovem sarau e conversa sobre estarismo durante a 44ª Semana Literária do Sesc PR
Nos dias 13, 14 e 15 de agosto, o Coletivo Marianas e o Mulherio das Letras Paraná , em parceria com o Literatiba , promoverão um sarau na 44ª Semana Literária e Feira do Livro do Sesc PR , no Museu Oscar Niemeyer , em Curitiba. As integrantes lerão poemas autorais ligados à luta por igualdade de gênero, justiça social e étnica, consciência ambiental e muitos outros temas, refletindo a multiplicidade de vozes que compõem esses grupos literários feministas. Sarau Soltando a Franga, do Mulherio das Letras Paraná, na Casa Pagu Sarau do Coletivo Marianas, Vozes Escarlate e Pretas com Poesia, na Biblioteca Pública do Paraná Roda de leitura e conversa sobre etarismo E no dia 16 de agosto, ainda durante a 44ª Semana Literária e Feira do Livro do Sesc PR, integrantes do Coletivo Marianas também participarão de uma roda de leitura e conversa, com mediação de Gisela Maria Bester , sobre o livro Idade é fogo , que aborda o etarismo e foi organizado por Maria Lorenci . Programação Sarau do Coletivo Marianas e do Mulherio das Letras Paraná Quarta (13/08) – 13h às 14h 1) Gisela Maria Bester 2) Karoline Nogueira 3) Valéria Borges da Silveira 4) Maria Lorenci 5) Tânia d'Arc 6) Cristiane Lopes 7) Cida varela 8) Jaqueline Balthazar 9) Ieda Vidal 10) Shirley Pinheiro Quinta (14/08) – 13h às 14h 1) Maísa Cardoso 2) Andréia Carvalho Gavita 3) Laura Monte Serrat 4) Maristela Ono 5) Ivy Menon 6) Sonia Cardoso 7) Susan Blum 8) Rosani Abou Adal 9) Sandra Andréia 10) Paulinha Almeida Sexta (15/08) – 13 às 14h 1) Luiza Pinheiro Kühl 2) Valéria Pinheiro 3) Priscila Prado 4) Nola amaro 5) Laura Pinheiro 6) Joy Muzi 7) Rosana Barroso Miranda 8) Melissa Reinehr 9) Jô Vertuan 10) Rita Delamari 11) Letícia Lopes 12) Danielle Psique Roda de leitura e conversa sobre estarismo Sábado (16/08) – 13 às 14h Livro Idade é fogo , organizado por Maria Lorenci.
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | agosto de 2025
Em agosto de 2025, o Coletivo Marianas apresenta Bertha nas cataratas , com Regina Miranda , das 11h15 às 12h15, e Os cabelos de Alika , com Jô Vertuan , das 10h30 às 12h, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Sobre Bertha nas cataratas Ana é uma garota curiosa que ama dinossauros. Tanto que, na escola, quando soube que fariam um passeio ao museu de História natural, ela vibrou mais do que com a bicicleta que ganhou no último Natal. De férias, com os pais, ela vai conhecer as Cataratas do Iguaçu. Uma reserva florestal que fica no estado do Paraná, onde ela vive, no sul do Brasil. O passeio para conhecer uma das maiores quedas d’água do mundo por si só, já era o ponto alto daquelas férias. Mas a menina não imaginava o que esperava por ela na trilha. Nem mesmo em suas brincadeiras de faz de conta mais aventureiras, ela imaginaria o que encontrou lá. Venha viajar com Ana e sua mais nova amiga nessa aventura paleonto-mágica. Sobre Os cabelos de Alika Em Os cabelos de Alika , a autora mergulha no universo simbólico do cabelo como herança, resistência e orgulho. Cada laço, trança e cacho ganha significado afetivo nas mãos amorosas da mãe, Mariê, e, mais tarde, do pai, Jacobe, que se reinventa para aprender a cuidar dos fios da filha com dedicação e ternura.
- "Okum D'orin: a poesia que vem do mar" – um mergulho na ancestralidade e na luta pela tolerância religiosa
O racismo religioso no Brasil é um fenômeno profundamente enraizado na história do país, manifestando-se principalmente contra as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Essas religiões, trazidas ao Brasil pelos escravizados africanos, foram historicamente marginalizadas e perseguidas, e ainda hoje enfrentam discriminação e violência. Um estudo realizado pela Unifesp em escolas públicas de São Paulo revelou que 60% dos alunos que praticam religiões de matriz africana já sofreram algum tipo de discriminação no ambiente escolar. Os relatos incluem bullying, piadas ofensivas e até mesmo a proibição de usar símbolos religiosos, como colares de contas (guias). A Renafro, Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde , mapeou casos de violência contra terreiros em todo o país entre 2015 e 2020. O levantamento identificou mais de 200 casos de ataques, incluindo incêndios, depredações e ameaças. A maioria desses casos ocorreu em áreas urbanas, onde há maior concentração de terreiros. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) , com sede no Rio de Janeiro, publicou relatórios que mostram um aumento nos casos de violência contra terreiros de candomblé e umbanda. Entre 2019 e 2021, houve um crescimento de 30% nos ataques a esses espaços religiosos, incluindo incêndios criminosos, depredações e ameaças a líderes religiosos. Em um Brasil marcado por desigualdades sociais e culturais, onde a intolerância religiosa e o racismo estrutural se entrelaçam de forma perversa, a obra Okum D'orin: a poesia que vem do mar , de Martha Sales , emerge como um farol de resistência e sensibilidade. Publicado em um momento de crescente polarização e violência simbólica contra as religiões de matriz africana, o livro transcende a mera expressão artística para se tornar um manifesto político, espiritual e literário. Através de uma prosa poética que bebe das águas sagradas de Yemanjá, Martha Sales nos convida a refletir sobre a importância da diversidade religiosa, da ancestralidade e do combate ao racismo. A obra, ilustrada com aquarelas de Roniery , é um convite à imersão em um universo onde a poesia e a espiritualidade se fundem, criando um diálogo profundo entre o sagrado e o cotidiano. Mas, mais do que isso, Okum D'orin é um chamado à ação, um grito de alerta contra a intolerância que assola o país. Dados da startup JusRacial , de 2023, revelam que um terço dos casos de racismo no Brasil está diretamente ligado à intolerância religiosa, com as religiões de matriz africana sendo as mais afetadas. Nesse contexto, a obra de Martha Sales ganha contornos urgentes, tornando-se uma ferramenta essencial para a educação e a conscientização. A poesia como resistência: oralitura e ancestralidade Martha Sales, iyalorixá e professora de sociologia, constrói sua obra a partir de uma perspectiva única, que ela mesma define como "orixalitura" ou "oralitura". Em entrevista, a autora explica que a poesia nasce da oralidade, da tradição ancestral que é transmitida de geração em geração. "Eu pego essa oralidade e a transcrevo de forma poética", diz Martha. Essa transição entre o oral e o escrito não é apenas uma escolha estética, mas um ato político. Ao resgatar a voz de Yemanjá e de outras entidades sagradas, a autora reafirma a importância das narrativas afro-brasileiras, muitas vezes marginalizadas ou apagadas pela cultura hegemônica. A poesia de Martha Sales é, portanto, um ato de insurgência. Ela surge de suas vivências à beira do rio e do mar, em Sergipe, onde a autora encontra inspiração nas águas que simbolizam a força e a fluidez de Yemanjá. "A obra nasce dessas minhas vivências e experiências, vivendo e sendo uma mulher dedicada às águas, ao orixá Yemanjá", relata. Esse mergulho no sagrado não é apenas pessoal, mas coletivo. Ao compartilhar suas poesias, Martha Sales convida o leitor a se conectar com suas próprias raízes e a reconhecer a diversidade como um valor fundamental. Educação como ferramenta de transformação Um dos aspectos mais impactantes de Okum D'orin é sua aplicação no ambiente escolar. Martha Sales tem levado sua obra para escolas de Sergipe, realizando palestras, debates e oficinas que promovem a tolerância religiosa e o combate ao racismo. "As escolas onde eu cheguei com a obra são escolas que já tinham feito um trabalho de inclusão e combate ao racismo", explica a autora. No entanto, mesmo nesses espaços, ainda há resistências. "O ambiente escolar não é muito favorável para alunos que são parte das religiões de matriz africana", afirma. O Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, registrou um aumento significativo nos casos de intolerância religiosa nos últimos anos. Em 2022, foram registradas mais de 500 denúncias relacionadas à intolerância religiosa, sendo a maioria delas direcionada a praticantes de religiões de matriz africana. Esses números, no entanto, são subnotificados, já que muitas vítimas não denunciam por medo de retaliação ou descrença no sistema. Apesar dos desafios, os resultados têm sido promissores. Alunos e professores relatam mudanças significativas no comportamento e na percepção das diferenças religiosas. "Muitos alunos me procuraram depois desses momentos na escola para continuar fazendo seus questionamentos, desmistificando muitas coisas que estavam ali no imaginário deles", conta Martha. A obra também tem incentivado a expressão artística, despertando nos jovens o interesse pela poesia, pela pintura e pelo desenho. "A poesia e a obra apresentam essas linguagens conversando para falar desse lugar de pertencimento", reflete a autora. O desafio de ampliar o diálogo Apesar dos avanços, Martha Sales reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer. "Ainda vivemos uma educação baseada na catequese e na ideologia cristã muito forte", observa. Essa realidade se reflete na dificuldade de levar sua obra para outras regiões do país, especialmente em escolas públicas. "Ainda há dificuldade principalmente nas escolas públicas para fazer o livro chegar, ainda mais que é uma produção independente", diz. No entanto, a autora mantém a esperança. "Acredito que minha obra ainda precisa percorrer muitos caminhos para que isso possa ser ampliado no espaço escolar", afirma. Para ela, a chave está em desconstruir o imaginário negativo sobre as religiões de matriz africana e em promover um diálogo aberto e respeitoso. "O Brasil é um país racista, e esses espaços são espaços racistas. A educação e o ambiente escolar não são diferentes disso", alerta. Um futuro possível: celebrando a diversidade Okum D'orin: a poesia que vem do mar é mais do que um livro; é um movimento. Por meio de sua poesia, Martha Sales nos convida a repensar nossas próprias crenças e preconceitos, a celebrar a diversidade e a reconhecer a força da ancestralidade. Em um momento em que a intolerância religiosa e o racismo parecem ganhar força, a obra surge como um lembrete poderoso de que a arte e a educação podem ser instrumentos de transformação social. Que a poesia de Martha Sales continue a ecoar, não apenas nas escolas de Sergipe, mas em todo o Brasil. Que ela inspire outros artistas, educadores e cidadãos a se unirem na luta por um futuro no qual a diversidade religiosa e cultural seja celebrada e respeitada. Como a própria autora diz, "a ancestralidade é uma grande ferramenta para trabalhar o respeito à diversidade". E é nessa ancestralidade que encontramos a força para seguir adiante, rumo a um mundo mais justo e acolhedor. Alguns poemas da obra Terra Atotô! Onde o sagrado habita Onde o sagrado abriga Onde o medo se esvai Onde o sentido vagueia Onde a palavra é reza Onde o silêncio é lei Onde a terra acolhe A flor que cai O joelho que dobra E toda súplica Atotô Zingando Sem medo Atravessemos E abandonemos Nossas próprias margens Pra saber o que existe Do lado de lá Só assim Zingando nessas águas Destino que se desenha Aos olhos da proa Ao sabor do vento Que assobia Que dá direção E sem medo Atravessemos Em segredo Uterinas tuas águas Sal da vida Me dão vida Libertadoras tuas correntes Marítimas Me dão ar Caudalozas correntezas Me dão pés Pra caminhar Fio de lua Crescente Me dá a direção Espelho d'água Reflexo Me dá a visão Profundos teus mistérios Em segredo Me guardam Ventre acolhedor Partindo filhos Do meu destino Me dá a certeza Ficha técnica do livro Título : Okum D’orin: a poesia que vem do mar Autora : Martha Sales Gênero : Literatura sergipana; poesia Páginas : 69 ISBN : 978-65-5730-152-4 Editora : Infographics Ano : 2022 Preço : R$ 39,90 Onde encontrar : na Amazon ou diretamente com a autora. Sobre a autora Martha Sales é iyalorixá e professora licenciada em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe. Especialista em Antropologia pela UFS/NPPGA, também é pós-graduanda em cinema e linguagem audiovisual. É membro do Núcleo de Pesquisa e Estudos Afro-brasileiros e Indígenas, membro e sócio-fundadora da Omolàiyé , sociedade de estudos étnicos, políticos, sociais e culturais . Sócio-fundadora e coordenadora da Casa de Mar , espaço de arte, cultura e educação. Para conhecer mais sobre a autora e seu trabalho, acesse: https://www.instagram.com/martha_sales/ Conteúdo produzido por Tamyris Torres .
- Confira os eventos do Coletivo Marianas em junho e julho de 2025
Os meses de junho e julho de 2025 estão recheados de eventos incríveis do nosso coletivo. Reunimos todos aqui neste post pra ninguém se perder e nem ficar de fora. Marque na agenda e não perca! Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (07/06) Apresentação de Joana, a joaninha , com Luiza Pinheiro Kühl ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Bazar da Casa – edição junina (15/06) ⏰ 10h às 19h: Exposição de livros com lançamentos no Bazar da Casa 📖 14h: Contação de história com Luiza Pinheiro Kühl 🎤 14h30: Sarau do Coletivo Marianas 📍 R. Des. Clotário Portugal, 155 – São Francisco, Curitiba (PR) Coletivo Marianas na BPP – Sarau Coletivas (28/06) Apresentação com autoras dos coletivos feministas Vozes Escarlate e Pretas com Poesia ⏰ 10h30 às 12h 📍 Hall da Biblioteca Pública do Paraná Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (28/06) Apresentação de Cantigas de invento , com Jaqueline Conte ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná Rock Zine Fest – Exposição de livros (28/06) Exposição de livros no Rock Zine Fest , no estande da escritora Tamyris Torres ⏰ 14h às 22h 📍 Livraria Belle Époque (Rua Soares, 50 – Meier, Rio de Janeiro, RJ) Evente-se – Encontros & a arte de fazer conexões (05/07) Feira de livros e lançamentos ⏰ 10h às 20h 📍 Rua Professor Brandão, 382 – Alto da XV Coletivo Marianas na BPP – seção infantil (12/07) Apresentação de A fábula da formiga Bernadete , com Maísa Cardoso ⏰ 11h15 às 12h15 📍 Seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná 79° Letra de Mulher (13/07) Apresentando: Na carne absoluta , de Ana Agnolo Sorrir, esse sacrifício , de Gisela Maria Bester Eu já fui você , de Vênus Mediação: Letícia Lopes ⏰ 10h às 13h 📍 Feira do Poeta, Largo da Ordem
- 79° Letra de Mulher: lançamento de "Sorrir, esse sacrifício", "Na carne absoluta" e "Eu já fui você"
No 79° Letra de Mulher, o Coletivo Marianas apresenta o lançamento do livro Sorrir, esse sacrifício , de Gisela Maria Bester , Na carne absoluta , de Ana Agnolo , e Eu já fui você , de Vênus , com mediação de Letícia Lopes . O evento é aberto ao público e acontece no dia 13 de julho de 2025 , das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Sorrir, esse sacrifício Sorrir, esse sacrifício , é um livro de ecopoemas livres que mostra realidades de vidas de diversos seres devastadas por ações antrópicas, cujo legado doloroso é deixado irresponsavelmente pela vastidão do planeta, espraiando desequilíbrios nem por todos ainda devidamente notados. Com voz poética crítica, a obra anseia chamar a atenção de vários públicos à grave problemática da cada vez mais acelerada destruição das riquezas naturais de biomas brasileiros, e também de outras regiões da Terra, desnudando agressões a animais, plantas, águas, gentes e demais integrantes da natureza. Assim, o livro põe em relevo o paradoxo vulnerabilidade-fortaleza, de modo a deixar quem o leia com a incômoda sensação de que, diante disso, sorrir passa a ser um sacrifício. Na qualidade de constitucionalista-ambientalista ativa por mais de três décadas, tendo há três anos também abraçado a escrita literária como forma de ver, escrever e inscrever cenários desequilibrados pelos seres humanos, a autora coloca nesta obra a potência do grito, não somente em nome de pessoas igualmente danificadas em suas essências nesse jogo desigual de forças, mas, principalmente, daqueles elementos da natureza que não podem falar. Os bichos, na perspectiva de espécies companheiras e sencientes, povoam boa parte dos poemas, propiciando ainda uma intersecção de linguagem com a questão dos gêneros humanos. Estruturado em três partes, o livro inicialmente trata das degradações na natureza profunda; na sequência, mostra o mesmo potencial assombrosamente violento em ambientes urbanos, trazendo uma terceira parte reflexiva sobre possibilidades salvíficas nesse emaranhado mórbido. "Livro de amar, livro de pensar e sentir todos os seres, os astros, Gaia e as redes que se formam num contínuo. Livro de entendimento e princípio de curas. Livro potente e delicado, incisivo e sutil, o Sorrir, esse sacrifício , de Gisela Maria Bester, promove e sustenta percepções profundas, que nos inspiram à ação, ao movimento de cuidado e de preservação das formas vivas. Bichos, luas, vertentes, ancestralidade, tudo aqui reunido pelo poder da palavra. Palavra-denúncia, palavra-acolhida, palavra-resposta-do-abismo. Palavra posta em movimento amoroso que nos permite florescer dourados, ver o poção e castores e calangos e sua cantoria. Palavra poética que nos permite recolher pássaros e estrelas em forma de estória, que ora se conta toda intensamente aqui." (Luci Collin) Na carne absoluta Numa abordagem psicanalítica e filosófica, Na carne absoluta explora como a formação identitária é determinada por fatores biológicos, políticos e socioculturais, considerando a influência do inconsciente pessoal e coletivo na construção do "eu", onde a noção de individualidade é intrinsecamente moldada pelo ambiente externo. O título evoca a dualidade da natureza humana, atribuindo à carne tudo aquilo que nos é transmitido por herança. O termo "absoluta" faz alusão à subjetividade na constituição do ser e ao conceito de identidade criado a partir do contato com a própria realidade interna. Escrita em linguagem poética e no formato de autoanálise, a obra, dividida entre “Fêmea” e “Mulher”, resgata as experiências da autora desde a infância até a vida adulta. A primeira parte, "Fêmea", apresenta um recorte historiográfico do Brasil, abordando os processos colonialistas e escravocratas e suas implicações psicológicas. A desigualdade social e racial, o impacto da pobreza, o complexo de inferioridade e o “vira-latismo” intelectual, assim como as relações hierárquicas de gênero e os estereótipos associados à mulher são trabalhados pelo impacto no psiquismo, na condição de mulher negra brasileira, refletindo no seu desenvolvimento enquanto indivíduo. O eu-lírico relata como esses fatores atuaram ao serem incorporados em seu inconsciente, desencadeando conflitos emocionais, traumas, abusos e alienação. Cura e liberdade dão a tônica do componente intitulado "Mulher". O processo de autoconhecimento ocorre pela quebra de complexos e crenças internalizadas, ao acessar memórias genuínas e descobrir aspectos reais da personalidade. Sua autonomia é alcançada ao tomar consciência de si, reconhecendo sua expressão criativa no amor, na arte, na escrita e, principalmente, no ato de pensar. O objetivo da obra é despertar o olhar do leitor para a própria realidade interna, levando-o a observar até que ponto o que nomeia “eu” realmente corresponde à sua singularidade e características inerentes. A obra tece reflexões sobre o sentido concreto e abstrato da existência, induzindo à autopercepção e à observação das próprias verdades, diferenciando-as do que foi agregado de maneira involuntária. No contexto social atual, repleto de estímulos e informações, é essencial ponderar sobre o que e quanto realmente conhecemos de nós mesmos, para não sermos diluídos em meio às demandas exteriores. Na carne absoluta é dedicado àqueles que desejam realizar a sua própria jornada através do caminho do autoconhecimento. Eu já fui você Eu já fui você é uma iniciativa independente da autora Vênus. O livro foi produzido, em 2019, em PDF e traz poemas sobre perdas, amor e arte. Vênus, de 25 anos, é poeta e slammer e imprime em seu trabalho resistência e críticas a problemas coletivos que fazem refletir e emocionam, mantendo viva a cultura da denúncia na poesia marginal.
- Sem alarde... um poema de Edra Moraes
O tempo não faz mais tic e tac. A bomba-relógio do tempo agora é digital, e o cristal é líquido. Sem o tic-tac das horas, que marcava sossegado o relógio, me dizendo das horas passadas, agora o tempo escorre, e eu estou sempre atrasada. Que horas são? São horas de partir ou de pousar. Tenho cidades a visitar. Que horas são? São horas da traição ou do perdoar. Tenho sonhos a sonhar. Passou-se o tempo em vão, pelo vão dos dedos, as horas. Vão-se os dedos, vão-se as horas. Escorre a vida pelas mãos. É chegada a derradeira: lenta autólise, necrochorume. A vida é líquida. O tempo é líquido. O amor é líquido.
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | junho de 2025
Em junho de 2025, o Coletivo Marianas apresenta Joana a Joaninha , de Luiza Pinheiro Kühl , e Cantigas de invento , de Jaqueline Conte , sempre das 11h15 às 12h15, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Sobre Joana a joaninha , de Luiza Pinheiro Kühl Em Joana, a joaninha , Luiza nos revela um segredo contado por uma joaninha. Quando você descobrir a história, inspirada em Joana, amiga da autora, vai gostar de voar e sentir o vento no rosto. E tenho certeza que gostará de desenhar pintas e letras, como fez a ilustradora Débora, que também se encantou com a experiência incrível da garotinha de sorriso grande e olhos brilhantes como uma estrela. Palavra de joaninha. Sobre Cantigas de invento , de Jaqueline Conte Em Cantigas de invento , Jaqueline Conte nos leva a um passeio cheio de humor por cantigas de roda tradicionais, só que reinventadas de forma criativa e, muitas vezes, completamente nonsense. Este livro resgata a musicalidade que encanta gerações e dá um toque divertido e inusitado às canções que marcaram a infância de muitos. Ideal para cantar, rir e reinventar, Cantigas de invento faz um convite irresistível: que tal entrar na roda, soltar a criatividade e inventar a sua própria cantiga? As cantigas, que já são um patrimônio do brincar, aparecem de cara nova: a barata vai se depilar, o sapo continua sem lavar o pé (e nem liga!) e até a formiga entra na brincadeira com uma marcha caótica que termina em pura bagunça. As cantigas são leves, cômicas e deixam espaço para a criança se sentir inspirada a criar suas próprias variações. O texto brinca com rimas simples e sons que agradam a todos. É fácil se pegar cantarolando junto e rindo das situações inusitadas que surgem a cada verso. A poesia de Jaqueline Conte é ritmada e convida à participação. A arte de Luci Sacoleira, com suas ilustrações vivas e cheias de detalhes coloridos, traz o ritmo da festa à tona, dá vida a cada estrofe com um visual que acompanha o tom alegre e bem-humorado da obra.
- Coletivo Marianas na seção infantil da BPP | julho de 2025
Em julho de 2025, o Coletivo Marianas apresenta A fábula da formiga Bernadete , com Maísa Cardoso , das 11h15 às 12h15, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Sobre a obra Em A fábula da formiga Bernadete você vai ver um bambolê para chamar de seu. Ali, bem debaixo dos nossos pés, o comportamento de uma formiga vai balançar com todo o formigueiro. Cabe à Rainha, com sua sabedoria, desvendar essa situação. E o que um bambolê tem a ver com essa história? Caros leitores de todas as idades, preparem-se para bambolear nesta fábula, que também pode acontecer por aqui, no mundo dos humanos, e que vai encantar as gentes de todos os cantos.
- Caneta salva-vidas, é um poema de Verônica Souza
Sinto no peito o sentimento crescer Sinto na cabeça o medo aborrecer na pele o arrepiar do vento na barriga o ácido gástrico girar Sem aviso me sinto explodir Será que não percebi o corpo implodir? Corro até a caneta salva-vidas Estilhaça meu coração de tinta.
- Presa…um poema de Valéria Borges
Agasalho-te com meus abraços, Dançamos os mesmos passos, Sonhamos os mesmos sonhos… Esta paixão se tornou Ardente e valiosa, Abusou dos sonhos meus, Alcançou o infinito, Ao tocar os lábios teus… Queria parar o tempo E em um raro momento Ficar estacionada na sublime felicidade Desfrutando do sentimento… Vou fazer do teu corpo, O meu eterno paraíso, Não dominar meus impulsos, E que nunca te deixar seja preciso… Flutuo nas ondas do teu corpo, Fico imersa no oceano do teu olhar E quando percebo estou presa, Pronta para te amar.
- 78° Letra de Mulher: lançamento de "Entre o corpo e a caneta" e conversa sobre financiamento coletivo
No 78° Letra de Mulher, o Coletivo Marianas apresenta o lançamento do livro Entre o corpo e a caneta , de Melissa Reinehr , com roda de conversa, leitura de trechos da obra, venda de exemplares e sessão de autógrafos. Em seguida, Lua Bueno Cyriaco , escritora e editora da Laboralivros , fará um bate papo sobre financiamento coletivo. O evento é aberto ao público e acontece no dia 1° de junho de 2025 das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre a obra Entre o corpo e a caneta é um livro-diário que combina escrita terapêutica, análise corporal e planejamento de autocuidado semanal. Com base na metodologia Sare Spa , desenvolvida pela autora, a obra convida a leitora a identificar seus traços de caráter (segundo a abordagem de análise corporal e comportamental), acolher suas necessidades emocionais e criar uma rotina de bem-estar que integre corpo, mente e emoções. A obra conduz a leitora por uma trilha de autoconhecimento dividida em três grandes blocos: Sentir, Pensar e Agir com autonomia e segurança. Cada capítulo apresenta os principais conflitos, potencialidades e necessidades emocionais de cada traço de caráter — Oral, Esquizóide, Masoquista, Psicopata e Rígido — e oferece uma nova chance para se cuidar de forma integrada. Combinando escrita criativa, exercícios terapêuticos e reflexões, o livro guia a leitora por uma jornada de autocuidado. A leitura é fluida, envolvente e sempre ancorada em experiências reais, analogias e provocações. A proposta é clara: não basta tomar consciência, é preciso reescrever sua própria história com constância e amor. O diferencial da obra está no apêndice prático em formato de planner terapêutico, que propõe 12 semanas de atividades conectadas aos pilares apresentados. Para cada semana, há ações de cuidado específicas e espaços para anotações que fortalecem o vínculo da leitora com seu spa interior. Trecho retirado da matéria publicada no Diário de Curitiba.
- REUNIÃO 23/05/25 - RESUMO
📌 RESULTADO DA REUNIÃO – PARTE 2 1. 📝 Edital Pontão de Cultura - 👩💻 Voluntária responsável: Ji Negrão - ✅ Tarefa: Auxiliar na assinatura digital do Anexo 4 do edital. - 🔑 Requisito: Todas as integrantes devem ter conta no SOU GOV (não é restrito). - 🔗 Link para criar conta: https://www.gov.br/pt-br/servicos/criar-sua-conta-gov.br - 💰 Remuneração: - Ji Negrão receberá uma quantia após a conclusão do edital pelo auxílio prestado. - Francine Cruz receberá uma quantia pelo preenchimento do edital. 2. 📊 Contabilidade - 🧾 Tesoureira: Adriana Tozzi - 🛠️ Apoio: Danielle Pacheco - 📌 Tarefa: Controle das mensalidades até a abertura da conta CNPJ. - ❗ Após abertura: Assinaturas serão suficientes (sem necessidade de verificar comprovante de PIX). 3. 📱 Redes Sociais - 👥 Responsáveis: Tânia d'Arc e Verônica Souza - 🤝 Apoio: Adriana Tozzi - 💡 Observação: Definir valor de remuneração para serviços de conteúdo elaborado (se necessário). 4. 🌐 Site - 🔧 Manutenção do site: Andréia Gavita (voluntário) - 📰 Notícias e portfólios: Tânia d'Arc (voluntário) - 📖 Revista: Daniela Amaral (voluntário) 5. ✨ Letra de Mulher (Evento Carro-Chefe) - 🗂️ Organização: - Acertos com autoras e Fundação Cultural: Andréia (voluntário) - Criação de cards: Andréia (voluntário) - 🎤 Mediação dos encontros: - Cada encontro terá uma mediadora (com auxílio para transporte e declaração para currículo). - 🎭 Voluntárias confirmadas: Tânia e Valéria Pinheiro (outras podem se voluntariar). - 📢 Função: Orientar autoras e conduzir dinâmicas de leitura. 6. 📦 Estoque de Feiras - 🏠 Local atual: Casa da Adriana (livros coletivos + mobiliário). - 🔄 Sugestão aprovada: - Cada integrante fica responsável por seus livros em dias de feira. - Na casa da Adriana, ficarão apenas livros coletivos e mobiliário (devido a limitação de espaço e logística). - 🚀 Futuro: Estoque externo coletivo será locado quando houver espaço e verbas adequadas. - ⚠️ Atenção: Quem tiver livro individual com Adriana, deve combinar a retirada. 7. 🚚 Transporte de Livros e Mobiliário - 🛒 Atual: Adriana faz o transporte. - 📜 Regra: - Haverá pagamento de combustível para quem transportar. - Outras integrantes podem se disponibilizar quando Adriana não puder. 8. 📅 Inscrição em Feiras - ✍️ Voluntárias: Letícia Lopes e Susan Blum - 📋 Tarefa: Preencher formulários e acertar detalhes com a organização dos eventos. 9. 🛠️ Montagem e Desmontagem - ⏰ Necessidade: Auxílio nos horários de abertura/fechamento para montar/desmontar a mesa. - 🔔 Importante: Escala deve priorizar disponibilidade nesses horários. 📚 Permanência nas Mesas Expositoras - 📌 Regras: - Mínimo de 2 pessoas fixas por evento (para atendimento e anotação de vendas). - Pagamento por hora. - Livros expostos serão apenas os levados no dia (retirados ao final). - Autoras que ficam pouco tempo podem focar em vendas individuais e participação na feira. A escala é para quem só quer levar seus livros. Obs: Rafaela Vitoria se voluntariou para pessoa fixa nas mesas expositoras. 11. 🚍 Auxílio em Transporte para Eventos - 📆 Quando: Em eventos onde uma integrante represente o coletivo ou execute tarefas em seu nome. 12. 📚 Eventos na BPP (Biblioteca Pública do Paraná) - 🎯 Ações confirmadas: - Seção infantil (mensal). - Saraus trimestrais. - 💎 Importância: Tornar-se um carro-chefe do coletivo, com ocupação regular dos espaços. 🔍 OBSERVAÇÕES FINAIS 1. 💳 Mensalidades: Enquanto não houver assinaturas centralizadas, cada uma deve controlar seus comprovantes. 2. 💡 Sugestão da Lilian Miranda: Isenção de mensalidade para quem executa trabalho voluntário. 3. 💸 Pagamentos em feiras/eventos: Realizados no dia. 📲 DADOS IMPORTANTES 📇 CONTATO E LINKS - 💳 PIX (caixinha): Chave PIX da conta Marianas PagSeguro: (41) 98876-1020 VALOR DA MENSALIDADE: R$30,00 - 📂 Portfólios (Tânia): [Formulário Google] https://docs.google.com/forms/u/2/d/1AjW9v0_B_WhRxxk9-1DZBaPhwOQfz8Rytg3IsbTTAh4/ - 🗂️ Drives: - Logo atual: [Link] https://drive.google.com/drive/folders/1j2cQmEAyi9IBJq-0bD4Ic9ZXAM39BaVf?usp=sharing - Documentos: [Link] https://drive.google.com/drive/folders/1365S34QA-QZnYXHodtMvY7oNsC3MI4Uk?usp=sharing - 📸 Fotos do coletivo: [Álbum Google Fotos] https://photos.app.goo.gl/PYQduBLJFmfsuAVq6 - 🌍 Site: https://www.coletivomarianas.com/ - ✉️ E-mail: coletivomarianas@gmail.com 🗓️ AGENDA 2025 📜 LETRA DE MULHER (Feira do Poeta) ⏰ Horário:10h às 13h - 01/06: Lua Bueno Cyriaco e Melissa Reinehr (mediação: Valéria Pinheiro) - 13/07: Gisela + outra(s) (a confirmar) - 03/08 - 14/09 - 05/10 - 09/11 - 07/12 (Eventos de fev a mai/2025 já realizados) 🧸 SEÇÃO INFANTIL NA BPP 📌 Nome: Coletivo Marianas e convidadas ⏰ Horário: 11h15 às 12h15 - 31/05: Mylle Pampuch – Clair de Luna - 07/06: Luíza Pinheiro Kuhl – Joana, a Joaninha - 21/06: Jaqueline Conte – Cantigas de Invento e Mico Medita - 12/07: Maísa Cardoso – Três cordéis de Valentina - 09/08: Regina Miranda – Bertha nas Cataratas - 16/08: Jô Vertuan – Os cabelos de Alika - 06/09: Susan Blum – Iara - 20 ou 27/09: Carla Viccini – Guardiãs de encantamentos - 04/10: Francine Cruz – Poemas para brincar nas quatro estações - 18/10: Priscila Prado – Uma rua de todas as cores - 29/11: Tânia d'Arc – O Natal do Beto - 06/12: Rosana Barroso – Mariana e as conchas 🎤 SARAU TRIMESTRAL NA BPP 📌 Nome: SARAU COLETIVAS (parceria com outros coletivos) ⏰ Horário: 10h30 às 12h - 28/06 - 27/09 (data móvel – considerar outubro) - 13/12
- Melissa Reinehr
Melissa Reinehr é escritora e terapeuta com formação em ciências da linguagem, artes cênicas, letras, ensino de língua e cultura francesa e interculturalidade. Fez especialização em análise corporal e comportamental e tem experiência com ensino e pesquisa de história e cultura afro-brasileira. É idealizadora do Sare Spa e da Editora Autoral. Um texto da autora A casa da mulher Desperta pelo sol, a mulher sorri e se espraia, lenta, prestes a desabrochar. Ela pensa na agenda do dia e nos espaços vazios que vai criar, tempos sagrados para si e para as outras. Respira fundo e se levanta. Se espanta, de novo, com o reflexo tranquilo no espelho. O rosto profundamente marcado. Cada linha, uma batalha. Cada olhar, uma promessa. Ela segue o vento até a cozinha e, enquanto prepara o café, mergulha na textura das cores, respira aromas, se acolhe e sorve cada gota de prazer, sentindo a quentura se espalhar. Em meio às delícias matinais, ela percebe aquela pontada de dor aguda, que invariavelmente aparece. É a sequela do tempo em que as manhãs já começavam exauridas. Anestesiada e compulsiva, a mulher trabalhava sem pausa. O corpo berrava, a mente ignorava e ela seguia. “Mais um pouco”, dizia, e esse “pouco” se estendia até ela desmaiar, ao fim dos dias, aborrecida. O corpo berrava mais. A mente reprimia. A mulher anestesiava e seguia. “Mais um pouco”. E guardava, escondia, engolia, aceitava e sorria… Pouco a pouco, ela represava um fundão enlameado dentro de si. No fundo sabia que, por mais forte que fosse, nenhuma barragem conteria para sempre tanto lixo. Foi muito rápido, de repente, feito enxurrada tóxica, cabeça d’água suja no rio da vida. A doença – firme, sábia, severa – assumiu o controle. Sem pedir licença, arrastou seu corpo para a cama. Fez por ela o que ela não se permitia: parar. Uma lufada fresca de gratidão lhe afaga a alma, quando o coração sussurra: A dor está só fazendo uma visitinha! Para lembrar. Você não tem mais aquela rotina. No auge do desastre, a mulher encontrou algo luxuoso que, por muitos anos, esqueceu que existia: seu coração pulsante que há muito ela não via. Foi um reencontro apaixonante. Um convite irrecusável. Resultou em casamento! E com a convivência, vieram a saúde, o entusiasmo e a alegria. Por isso, a mulher sorri: está prenhe de novo! Gesta uma nova vida. Desde o casamento, sua mente e coração vivem juntos no corpo, que ainda guarda marcas da tragédia. Mas já está sendo reflorestado, feito santuário natural. Fornece todos os unguentos que a mulher precisa para curar as suas e outras, feridas. Está cada dia melhor. Pois se nutre e banha, de corpo e alma, todos os dias, em largos rios de afeto. Segue firme, vigorosa e plena, desde que disse “sim” para si mesma. Agora ela não sobrevive para trabalhar. Ela simplesmente vive. E volta para a sua casa, onde ama, é amada e retorna, revigorada. Faça chuva ou faça sol. Como ela fica? Exausta? “Não”, diz ela, “eu sou o meu próprio SPA.” Cedo ou tarde, todas voltamos para esse espaço interno, o corpo, nosso próprio lugar. Publicado em Suja , pela Editora Donizela. Livros Entre o corpo e a caneta (Editora Autoral, 2025) Coautoria Coleção de minilivros artesanais (2013) Poemas para o santo negro (Humaita, 2014) À congada com carinho (Humaita, 2014) Afrolapeanos: crônicas manifestos e pensamentos azeviche (Humaita, 2015) Afrocuritibanos: crônicas manifestos e pensamentos azeviche (Humaita, 2015) Afroparanaenses: fragmentos da presença negra na história do Paraná (Humaita, 2016) Mulheres de Axé (Humaita, 2017) Caderno pedagógico: oralidades afroparanaenses (SEED/Humaita, 2018) História e cultura afro-colombense: rompendo o consenso da invisibilidade e a visibilidade do consenso (Humaita, 2019) Tempo é rei em Curitiba (Humaita, 2021) Afroparnanguaras: subsídios para um roteiro histórico, turístico e educacional (Humaita, 2022) Tempo é rei em Curitiba – 2ª ed. (Humaita, 2023) Oralidades afro-paranaenses – 2ª ed. (Humaita, 2023) Histórias que vi, vivi e ouvi (Associação Literária Lapeana, 2014) Abordagem histórica sobre a população negra no estado do Paraná (SEJU, 2018) Genocídio negro na Alemanha nazista (Museu do Holocausto de Curitiba, 2019) Suja (Donizela, 2025) Saiba mais sobre Melissa Reinehr Instagram Linktree Sare Spa Linktree Editora Autoral Publicado por: Tânia d'Arc
- Verônica Souza
Verônica Souza é escritora, leitora assídua, desenhista e atua como analista de qualidade. É formada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Uninter) e graduanda em Comunicação Organizacional (UTFPR). Publica no Entre Verônicas , explorando memórias, vivências negras, femininas, textos literários e poesias autorais. Integra os coletivos Marianas e Pretas com Poesia. Também compartilha suas artes em @veronica.souza.p. Alguns poemas da autora Viagem ao interior do esquecimento ou do acobertamento? Ato 1 Dia de viagem Pulo da cama sempre cedinho quero sentir os pássaros, o ventinho das árvores acordar com o dia que nasce sempre sou uma das primeiras passei a noite inquieta na cama pensando nessa manhã no corre-corre com bolsa, mala e lanche no desespero e ânimo da família para viagem penso nas paisagens aquelas lindas e verdes abundantes que vejo indo ao interior até esqueço dos gritos caos dos adultos só me lembro de eu no carro vendo paisagem, cantando, fotografando sendo criança vendo poesia em tudo Essas eram as manhãs felizes e vorazes, que antecediam a viagem ao interior a roça ao lugar de comida boa, vento, mato e dança era sempre uma alegria sendo criança Ato 2 chego lá tem vô (com acento de chapéu como a mãe ensinô, a avó era com agulha em cima porque ela costura) tem tia, tem prima, tem família toda descemos no trupicar e farfalhar cumprimentando, pedindo benção, pulando era alegria quesó, ficávamos completos por instantes era nossa viagem anual de ver avô no interior chego, logo recebo beijo na testa do avô — Benção vô, quanto tempo!! — Oh que bonita. Essa é minha neta? (vô tinha Alzheimer, vezes lembrava de eu, vezes não – mas a gente sempre conversava) — É, sim, Pai! Filha da Natureza (ps: minha mãe) — Comentou a tia coração ele me dá uma boa olhada daquela que analisa até alma — Oh que neta bonita! Para uma negrinha até que é bem bonita, puxou a família! Segundos de silêncio na minha cabeça ainda tão pequena, entendi ou não entendi essa frase? — E os dentes que maravilha, chegou usar aqueles negócios de metal? Ou é tudo seu? voltando à cena sorridente, fico bem feliz, eu bonita e com dente dos bons (sempre admirei o do meu pai – retinho e brancão, tudo bem lindo) Publicado no Instagram da autora em vídeo. Desconhecidos cheios de (nó)s num instante somos tão parecidos em outro, mil anos-luz de diferenças nós como podemos ser tão próximos e distantes? tão conectados e cheios de coincidências sós sinto saudades das memórias que não temos receio e angústia pelas que vivemos in-fer-no estamos prestes a ser filha e pai, me alegro novamente me empurra para longe, me perco in-ver-no o coração se enche, pelas gotas do pesar de ter sentido a vontade de ser sua amiga fi-lha sempre prestes a nos conhecermos mas, distantes demais para criar laços i-lha as memórias que desejo são distantes impossíveis, inalcançáveis, intangíveis me-lan-co-lia são expectativas de momentos inéditos momentos esses que não terei nem spoiler re-ve-lia Caneta salva-vidas Sinto no peito o sentimento crescer Sinto na cabeça o medo aborrecer na pele o arrepiar do vento na barriga o ácido gástrico girar Sem aviso me sinto explodir Será que não percebi o corpo implodir? Corro até a caneta salva-vidas Estilhaça meu coração de tinta. Selecionado para publicação nas Edições ConVerso. Coautoria Suja (Donizela, 2025) Saiba mais sobre Verônica Souza Instagram Substack LinkedIn Medium Publicado por: Tânia d'Arc
- TRAMA: Festival literário das editoras independentes de Curitiba e Região
Informações gerais 📍 Onde? Alfaiataria (Rua Riachuelo, 274 – Centro, Curitiba) ⏳ Quando? Sábado (17/05): 10h às 20h Domingo (18/05): 11h às 18h 🎟️ ENTRADA GRATUITA 📚 Realização & apoio Realização: GREI Patrocínio: Fábrica do Livro 🖨️ | Coletivo Marianas ✍️ Apoio: Espaço Alfaiataria 🍽️ Comes & bebes Rause café & vinho ☕🍷 (ao lado da Alfaiataria) Mares de Malte 🍺 (chopes artesanais no hall de entrada) 📚 Feira literária Editoras, coletivos, livreiros e autores: Anadara Brasiliana, Anticítera, Arte & Letra, Bárbara Martins, Coletivo Marianas, Donizela, Editora Elixir, Fábrica do Livro, Insight, IS, Keyla Fernandes, Kotter Editorial, Laboralivros, Laurene Veras, Lumus, Maitê Livros, Máquina de Escrever, Matula, Melissa Reinehr, Mulherio das Letras PR, Tatiane Gusmão, TAUP, Têmpora Edições, Thiago Pe, Palestrantes Atividades 📅 Sábado (17/05) 🌅 Manhã 🕙 10h | Oficina: Transtexto: atravessando fronteiras literárias (com Dan Porto) 🕚 11h10 | Painel: Crowdfunding é o novo clube do livro? (com Lua Bueno Cyriaco, Rafael Maidl e Rodrigo de Lorenzi) 🌇 Tarde 🕐 13h | Mesa Redonda: E se o futuro distópico fosse em Osasco? – cenários fantásticos no Brasil: sim, é possível! (com Lucas Mota e Stephanie Caroline, mediação de Rodrigo de Lorenzi) 🕑 14h10 | Sessão de Autógrafos (Coletivo Marianas) 🕒 15h20 | Palestra: Fábrica do Livro 🕓 16h30 | Mesa Redonda: Entre linhas e desejos: o homoerotismo como subversão na literatura (com Arthur Cury e Vanessa Porto Alves, mediação de Cristian Abreu de Quevedo) 🕔 17h40 | Painel: Araucárias, magias e dragões: o imaginário fantástico em mãos curitibanas (com Fúlvio Pacheco, Fábio Marcolino e Paula Vendramini, mediação de Cristian Abreu de Quevedo) 🕕 18h50 | Mesa Redonda: Etarismo na literatura: representação, invisibilidade e desafios (com Luci Collin, Maria Lorenci e Eva Coller, mediação de Francine Cruz) 📅 Domingo (18/05) 🌅 Manhã 🕦 11h30 | Oficina: Desenha que passa: oficina de ilustração (com Gerson Cordeiro) 🌇 Tarde 🕜 13h30 | Palestra: Fábrica do Livro 🕑 14h40 | Painel: Literatura Indígena: Vozes, memória e resistência (com Olívio Jekupé, Jovina Kaingang e Ceia Bernardo Kavénhkág) 🕒 15h50 | Painel: Quilombo, periferia e centro: vozes pretas em movimento (com Nará Souza, Célio Jamaica, Dow Raiz e Aline Reis, mediação de Jô Macario) 🕔 17h | Mesa Redonda: Literatura transgênero: vozes, representatividade e resistência (com Maria Vitória Rosa, Amanda Leal, Sam Gomes, Mercuria, Be RGB e Rivka) ✍️ Sessões de autógrafos 📅 Sábado (17/05) ⏰ 11h | Cartilha de Brinquedos de Lixo que não é Lixo (Editora Insight) ⏰ 12h | Entraves & entranhas (Tânia d'Arc) ⏰ 13h | Calima canta (Sonia Cardoso) ⏰ 14h | O mistério dos cadáveres perdidos (Sophia G. P. Corrêa) ⏰ 15h | Com a boca na banana (Arthur Cury) ⏰ 16h | A Mulher-Polvo (Adriana Tozzi) ⏰ 17h | Poemas para brincar nas quatro estações (Francine Cruz e Débora Bacchi) ⏰ 18h | Clair de Luna (Mylle Pampuch) ⏰ 19h | Série Devoy (Paula Vendramini) 📅 Domingo (18/05) ⏰ 11h | Rosa imortal (Tâni Falabello) ⏰ 12h | Oi, tangerina (Lara Peter) ⏰ 13h | Entre o corpo e a caneta (Melissa Reinehr) ⏰ 14h | O galo Oswaldo em busca do sol (Carolina Alves) ⏰ 15h | Cabelo Rosa: contos (Letícia Lopes) ⏰ 16h | Galope em campo minado (Amanda Leal) ⏰ 17h | Uma mulher Kaingang (Jovina Renhga)
- A Arte de Ser Mulher: Entre Afazeres e Sonhos um conto de Jaqueline Balthazar Silva
O despertador toca antes do sol nascer. Um suspiro, um alongamento rápido, e os pés descem da cama direto para a rotina que não espera. Enquanto o café esquenta, ela aproveita para revisar aquele slide da apresentação do trabalho, responder a um e-mail urgente e ainda separar a roupa que as crianças vão usar para a escola. O dia mal começou, e já parece uma maratona. Mas ela não corre só contra o tempo — corre atrás de algo maior. Entre uma reunião online e outra, ela abre uma aba no notebook para a aula da pós- graduação. Sonha com a promoção, com o diploma, com a viagem que ainda vai fazer quando tiver férias. No meio do caos, guarda um tempinho para o curso de pintura que sempre quis fazer, porque sabe que a alma também precisa de cuidado. A casa pede atenção: tem louça acumulada, roupa para lavar, o chão que não se varre sozinho. Mas ela já aprendeu que perfeição é diferente de equilíbrio. Às vezes, o jantar é um sanduíche bem feito com amor; outras, é uma comida caseira que cheira a infância. O importante é que ninguém passe fome — nem de comida, nem de afeto. E no meio disso tudo, ela se olha no espelho. Nem sempre se reconhece. Há dias em que a autoestima balança, mas ela lembra que sua força não vem do corpo impecável ou da casa sempre arrumada, e sim da coragem de seguir em frente, mesmo cansada. Compra um batom novo, coloca uma música que a faz dançar enquanto limpa, e sorri. Porque ela é mulher, e mulher é assim: multitarefa por natureza, guerreira por necessidade, sonhadora por vocação. Quando a noite chega, e os filhos (ou os gatos, ou o silêncio solitário do apartamento) finalmente descansam, ela respira fundo. Pensa no que fez, no que ainda vai fazer, nos projetos que estão só esperando o momento certo. Sabe que não é uma super-heroína — é humana, com dias bons e ruins. Mas é dona da própria história. E amanhã? Amanhã ela recomeça. Porque a vida não para, e ela também não.
- Workshop de Escrita e Edição na Tuiuti
Coletivo Marianas no Workshop Escrita e Edição Alunas do curso de Publicidade da Tuiuti organizaram, em colaboração com o Coletivo Marianas, um workshop gratuito sobre processos criativos e editoriais. O evento ocorreu das 19h às 21h na Sala 205 do Bloco B. Programação Oficina prática com Jaqueline Balthazar Painel sobre edição com Andréia Carvalho Gavita Participação de integrantes do Coletivo Marianas: Danielle Pacheco, Ieda Vidal, Marli Voigt, Valeria Borges, Melissa Reinehr, Paulinha Almeida e Tânia d'Arc Realização: Universidade Tuiuti do Paraná Fernanda Dutra Osório e Cecília Victória Ribas - Organização Camila Eduarda Usiak - Fotografia Alyssa Schettert - Historymaker Público Participante Comunidade acadêmica dos cursos de Publicidade e Jornalismo, e escritores (as) independentes. Registro O material fotográfico está disponível em nossa galeria virtual: www.coletivomarianas.com/workshop-escrita-e-edicao-na-tuiuti
- Coletivo Marianas participa do Love Day – Dia das Mães
No dia 10/05 , o Coletivo Marianas estará junto com a Editora Donizela comemorando o Dia das Mães e expondo os livros das integrantes e outros produtos no Love Day , que acontecerá no Love City , na Rua Riachuelo, 500 . O evento acontece das 10h às 20h e recebe vários outros expositores e artistas, com muita música, cultura, arte e skate. Sobre o Love Day – Especial Dia das Mães O Love Day – Especial Dia das Mães é um convite pra celebrar quem é base, inspiração e potência: as mães. O clima? Amor, arte, movimento e muita conexão. O cenário? Love City, com toda sua estrutura sinistra — pista de skate, gastronomia de respeito, música boa e aquele mix de marcas que traduzem o lifestyle de verdade. Programação do Love Day – Especial Dia das Mães Aulão de yoga com @kali_ananda Ginástica natural com @lilitsupersonal Espaço kids Discotecagem potente com @marcia.manzana , @mah_dj89 , @marynoga , @eurobertacibin e @helo.mahlmann Shows ao vivo com @letrutas , @bandabravonas e @mariposa.alice 25 expositores: livros, moda, acessórios, arte e bem-estar Restaurantes e bar rodando o dia todo Telão de LED com ativações e conteúdos visuais Convênio com estacionamento (R$15 com carimbo do evento) Entrada gratuita
- 76° Letra de Mulher: lançamento de "Salubria", "Gotas de água" e "A Mulher-Polvo"
O 76° Letra de Mulher, evento mensal do Coletivo Marianas, promoverá o lançamento das obras Salubria: saúde mental das mulheres , Gotas de água e A Mulher-Polvo . As autoras e tradutora farão apresentação das obras e, como é costume, haverá leitura de poemas, roda de conversa, venda dos livros e sessão de autógrafos. É aberto ao público e acontece no dia 6 de abril de 2025 das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Salubria O livro Salubria: saúde mental das mulheres é uma obra coletiva com poemas e prosas de 37 autoras abordando a saúde mental das mulheres. Foi organizada por Tamyris Torres , com capa de Maristela Ono e publicação pela Editora Donizela . O livro estará à venda no dia do evento e pode ser adquirido em outros momentos diretamente com as autoras e/ou organizadora ou no site da Editora Donizela . Gotas de água A presente edição de Gotas de água contém o texto traduzido por Angela Ikeda da publicação original de Drops of water: their marvellous and beautiful inhabitants displayed by the microscope (1851), de Agnes Catlow. As ilustrações originais das quatro lâminas, com as gotas de água observadas ao microscópio, estão reproduzidas nas folhas guardas. O projeto gráfico do livro foi concebido para representar e aproximar as gotas de água e os ocelos — padrões que lembram olhos nas penas do pavão —, acompanhando a sugestão de Agnes, que nos incita a encantar-nos com as fabulosas construções biológicas micro e macroscópicas, representadas pelos maravilhosos e belos habitantes das gotas de água revelados pela microscopia. O livro estará à venda no dia do evento e pode ser adquirido em outros momentos diretamente com a tradutora ou no site da Editora Donizela . A Mulher-Polvo A Mulher-Polvo , de Adriana Tozzi , é um longo conto abordando a Mulher-Polvo, criatura que habita a personagem Antônia. O livro estará à venda no dia do evento e pode ser adquirido em outros momentos diretamente com a autora ou no site da Editora Donizela .
- 77° Letra de Mulher: lançamento de "Um novo roteiro para Joana" e "Cartografia das miudezas"
O 77° Letra de Mulher, evento mensal do Coletivo Marianas, promoverá o lançamento das obras Um novo roteiro para Joana , de Fernanda Ribeirete , e Cartografia das miudezas , de Gabriella Ane Dresch . As autoras apresentarão suas obras e, em seguida, haverá leitura de poemas, roda de conversa, venda dos livros e sessão de autógrafos. É aberto ao público e acontece no dia 4 de maio de 2025 das 10h às 13h , na Feira do Poeta (Largo da Ordem – Rua Cel. Enéas, 30). Sobre as obras Um novo roteiro para Joana O livro Um novo roteiro para Joana não se faz de uma história só. Também não é definitivo, nem imutável, nem efêmero. É um itinerário para escorrer entre o transbordamento e o arrepio, sem desviar das coisas que apertam. A obra desnuda o eu poético (aos frescores e luares e tremores e espaçamentos), ao mesmo tempo em que a autora lança-se ao seu livro de estreia, assumindo a pena do seu próprio roteiro, com todos os perigos e delícias experimentáveis. Este livro é um convite para sentir. Os poemas agrupam-se quase por vontade própria em três partes, segundo o estado de espírito em que se compuseram. Um livro para ser lido sob o toque do vento. Cartografia das miudezas Cartografia das miudezas nos apresenta um microcosmo expresso por 39 poemas, onde histórias situadas em diferentes tempos e espaços se entrelaçam. O livro traz uma coleção de momentos precisos que por vezes subvertem as expectativas de quem os lê, contados a partir de uma experiência marcada pela oralidade. As perspectivas, majoritariamente de mulheres, exploram a beleza das miudezas do cotidiano. Embora possa parecer um projeto despretensioso, aos poucos o que se revela é uma teia narrativa de versos que visitam macroquestões, como gênero, migração, o urbano e o rural, desigualdades sociais e de classe, conflitos geracionais e violências. Esta rede vai cartografando a história, as suas relações internas, tensões, vínculos, estranhamentos e distanciamentos. Assim, do particular, recolhido ao convívio familiar, as lembranças se tornam não mais parte de um relato da autora, e sim um relato capaz de se conectar com todas as pessoas.
- Coletivo Marianas é patrocinador do TRAMA
TRAMA, festival literário das editoras independentes de Curitiba e região, tem sua primeira edição em 2025 TRAMA é um festival literário criado por e para apaixonados por livros, reunindo editoras independentes de Curitiba e região metropolitana e de outras cidades do Paraná. O objetivo é fortalecer o mercado editorial local, promovendo o encontro entre editoras, autores e leitores em um ambiente vibrante e acolhedor. Um espaço onde a literatura independente é a protagonista, onde leitores descobrem histórias únicas e onde editoras e autores locais recebem o destaque que merecem. Com entrada gratuita, atividades interativas e um clima convidativo, TRAMA celebra a cultura e amplia o acesso a narrativas fora do circuito mainstream . TRAMA é um evento literário criado e organizado por GREI (grupo de editoras independentes de Curitiba e região metropolitana). Fábrica do Livro (empresa especializada em impressão de livros, editoriais e materiais de divulgação) e Coletivo Marianas (grupo de escritoras e artistas) são os patrocinadores da primeira edição do festival. As editoras, membros do GREI, envolvidas com a realização e organização do evento, são: Labora Livros , Impérios Sagrados , Donizela , Insight , Factum , Máquina de Escrever , Edições Têmpora , Anadara brasiliana Edições e Editora Autoral . TRAMA acontece no centro de Curitiba, no espaço cultural ALFAIATARIA , em local de fácil acesso (com rampa e banheiro adaptado para pessoas com deficiência), e a entrada será gratuita. O espaço tem a parceria de Café Coado na Calcinha , estabelecimento localizado ao lado, que estará aberto durante todo o evento. A Feira literária do TRAMA acontece na sala multiuso durante todo evento, contando com a presença de diversos expositores: editoras independentes, coletivos e autores (as). As diversas atividades, oficinas, painéis, palestras e mesas-redondas acontecem no subsolo. Detalhes: Local: Alfaiataria Espaço de Arte, Rua Riachuelo, 274 - Centro, Curitiba, PR Data: Maio 17 e 18 (2025) Horários: Sábado: 10h - 20h | Domingo: 11h - 18h PROGRAMAÇÃO COMPLETA DIA 17 - SÁBADO 🌅 MANHÃ 🕙 10h | Oficina literária Transtexto: atravessando fronteiras literárias ✍️ Dan Porto 🕚 11h10 | Painel: Crowdfunding é o novo clube do livro? Financiamento coletivo e o poder dos leitores na edição 🎤 Lua Bueno Cyríaco, Rodrigo Di Lorenzi, Rafael Maidl 🌇 TARDE 🕐 13h | Mesa Redonda: Entre linhas e desejos: o homoerotismo como subversão na literatura 🎤 Arthur Cury, Vanessa Porto 📌 Mediação: Cristian Abreu de Quevedo 🕑 14h10 | Sessão de Autógrafos do Coletivo Marianas 📚 Patrocinador 🕒 15h20 | Palestra: Fábrica do Livro 📚 Patrocinador 🕓 16h30 | Mesa Redonda: E se o futuro distópico fosse em Osasco? Cenários fantásticos no Brasil: sim, é possível! 🎤 Lucas Mota, Stephanie Caroline 📌 Mediação: Rodrigo Di Lorenzi 🕔 17h40 | Painel: Araucárias, magias e dragões: o imaginário fantástico em mãos curitibanas 🎤 Fábio Marcolino, Fúlvio Pacheco 📌 Mediação: Cristian Abreu de Quevedo 🕕 18h50 | Mesa Redonda: Etarismo na Literatura - Representações e Desafios 🎤 Luci Collin, Maria Lorenci, Eva Coller 📌 Mediação: Francine Cruz ... DIA 18 - DOMINGO 🌅 MANHÃ 🕦 11h30 | Desenha que passa : oficina de ilustração com Gerson Cordeiro 🎨 Editora Insight 🌇 TARDE 🕜 13h30 | Palestra: Fábrica do Livro 2 📚 Patrocinador 🕑 14h40 | Painel: Literatura Indígena - Vozes, Memória e Resistência 🎤 Olívio Jekupé, Jovina Renhga, Ceia Bernardo Kavenhkág 🕒 15h50 | Painel: Quilombo, Periferia e Centro - Vozes Pretas em Movimento 🎤 Jô Macario, Nará Souza, Célio Jamaica, Aline Reis 🕔 17h00 | Mesa Redonda: Literatura Transgênero - Vozes, Representatividade e Resistência 🎤 Maria Vitória Rosa, Amanda Leal, Sam Gomes, Mercuria, be rgb, Rivka 📌 INFORMAÇÕES GERAIS: 📚 Realização: GREI 📍 Local: Rua Riachuelo, 274 - Centro, Curitiba - PR 🎟️ Entrada gratuita ⏳ Duração das atividades: 50 minutos 🔹 Intervalos de 10 minutos entre as sessões
- 72° Letra de Mulher: Cemitério de coisas vivas e Intolerância: da fé à fúria
No dia 03 de novembro de 2024, aconteceu o 72° Letra de Mulher , na Feira do Poeta, em Curitiba, apresentando Evelin Moreira com o livro Cemitério de coisas vivas (Donizela, 2024) e coautores da antologia Intolerância: da fé à fúria , organizada por Letícia Lopes (Donizela, 2024). O evento é um encontro mensal realizado pelo Coletivo Marianas e acontece todo primeiro domingo do mês, com lançamento e relançamento de livros, roda de leitura e sessão de autógrafos. Cemitério de coisas vivas Cemitério de coisas vivas , primeiro livro de Evelin Moreira, é uma obra poética autobiográfica, que guia o leitor em uma jornada íntima por suas memórias e experiências mais profundas. Dividido em três partes — "Nascimento", "Morte" e "Ressurreição" —, o livro explora temas como infância, família, luto, depressão, ancestralidade e amores, sempre com um olhar voltado à resiliência e à autodescoberta. A palavra "cemitério", do latim coemeterium , significa "onde dormem os mortos", mas Evelin subverte essa ideia ao acordar suas vivências, transformando dores e perdas em poesia. Seus versos resgatam memórias, sentimentos de saudade e transformações, transitando entre a escuridão e a luz, e convidam o leitor a refletir sobre sua própria história. A obra provoca uma questão essencial: por que escondemos aquilo que nos molda, se são essas vivências que nos definem? As ilustrações do livro são da artista plástica lapeana Ná Silva ; a revisão é de Almateia Revisões ; a orelha é da poeta Shirley Pinheiro e o projeto gráfico é de Andréia Carvalho Gavita . O livro está disponível para aquisição na loja virtual da editora: link para encomenda . Intolerância: da fé à fúria Intolerância: da fé à fúria é composta por contos, poemas e testemunhos escritos por 33 autores que vão desde uma fé profunda até dores e decepções de quem não consegue mais se apegar a nenhuma esperança sobrenatural. Um manifesto contra a intolerância religiosa e, principalmente, um chamamento ao acolhimento, ao amor e à tolerância. A antologia foi organizada e revisada pela escritora e tradutora Letícia Lopes, o projeto gráfico é de Andréia Carvalho Gavita e as ilustrações são da designer Maristela Ono (capa) e da arte-educadora Débora Bacchi . Autores: Adriana Alexandre , Adriana Tozzi , Alethea Silveira, Analine Prehs , Andréia Carvalho Gavita , Brenda Ferrari, Bruno Bossolan, Daniela Amaral, Danielle Rech, Débora Bacchi , Elciana Goedert , Elenice Padilha Belniak, Elisabete Neumann , Francielle Costacurta, H. L. Lopes, Ji Negrão , Julia Thomaz dos Santos, Juvi Honório, Letícia Lopes , Luciana do Rocio Mallon , Lucielle Reis, Maria Lorenci , Marli Voigt , Nádia Burda , Ná Silva , Paulo Rizotte, RoCastro, Rose Rocha, RozeMeire dos Reis , Shirley Pinheiro , Sonia Cardoso , Susan Blum e Vanessa Porto . O livro está disponível para aquisição na loja virtual da editora: link para encomenda . Este texto foi originalmente publicado no site da Editora Donizela .
- Habitat é um poema de Nic Cardeal
"As pessoas da pessoa são múltiplas na pessoa." (ditado da etnia africana Bambara) Há um mundo outro mundo vários mundos dentro do mundo Se eu sonhar com o Sol à janela dos meus olhos, todos se acenderão? Há um mundo outro mundo vários mundos dentro de mim Se eu apagar a Lua do meu mundo, todos anoitecerão? As múltiplas pessoas em mim não desconfiam (nem eu) que a Alma não se apaga ainda que lhe sustentem tantas metáforas Há um mundo em minhas entranhas onde as estrelas não são fixas balançam na ciranda revolta dentro do peito bem no centro desta casa em movimento: extensão da pele vestígios vagos miragens paradoxos do meu mais íntimo silêncio Eis a melhor linguagem do voo na imensidão: o Divino de todas as coisas, ainda que nem me ouça, sabe, antes de mim, que o amor não tem opostos, apenas dispostos – tu ouves? – -*-
- E se... é um poema de Maria Lorenci
E se derrepente já fosse Março? Uma florada extra de ipês clandestinos… Ventosas madrugadas e garoas Inesperadas névoas no final do dia Inexplicáveis sons de sinos Se intrometendo pelo meio da fumaça… … e se derrepente fosse a praia E alamandas florescessem despudoradas Junto a hibiscos e abacaxis E fossem ondas com trinta pés A se desmaiar na areia Som e fúria, e pressa e paz… Mais um pouco te demorasses E fosse eu inteira Não esta sombra em que me tornei E sendo inteira, abrisse a bolsa E conjurasse perfumes, batons e um guarda-chuva Uma nova vida, talvez mais doce… … e se chegasse enfim o tempo De colher as uvas e o mel Dobrar os joelhos em gratidão Talvez houvesse um minuto Instante cósmico infinito Pra resolver "eu e você"…
- Armadura, um conto de Tânia d'Arc
Não sei por que tanta dureza. Não que a vida tivesse sido sempre fácil, ao contrário, havia percorrido inúmeros obstáculos. Alguns pulou, noutros se estabacou. Mas também não se pode dizer que tivesse sido das mais difíceis. Teve seus confortos, desfrutou prazeres e também diversas alegrias. Mas era dura. Dura nas palavras, dura no olhar. Seu caminhar era duro. O coração, no entanto, não. Esse era molinho e doce. Mas era dura no existir. Eu não sei, e ela também não sabia, o porquê de tanta dureza. Poderia tentar ser diferente e de fato tentava. Por vezes, esforçava-se um bocado para impressionar na maciez. Mas era dura. Não era dureza de alma, era apenas no modo. No modo de ser, no modo de encarar a vida. Talvez tivesse sido a melhor — ou única — forma encontrada para se manter firme. E, realmente, não caía. Mantinha-se de pé, acontecesse o que acontecesse. Não era um golpe que a derrubava. Certos sorrisos, contudo, já foram capazes de fazê-la esmorecer. Chegou, inclusive, a desequilibrar-se nessa corda bamba que é a vida. Manteve, porém, a firmeza ereta e sábia dos que procuram continuar. Para isso, precisava ser dura. Talvez tivesse sido a forma que encontrou na vida para enfrentar o viver. Para manter-se viva, vestiu-se de dureza. Sentia-se pesada, é verdade. Mas, ao menos, protegida (da própria vida). Publicado no livro Entraves & entranhas .


















































