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Um corpo que cai...poema de Gisela Maria Bester

  • Foto do escritor: Daniela Amaral
    Daniela Amaral
  • 4 de jul.
  • 1 min de leitura

Mulher, te dei morada, mas...

essa boca humilhada

esses olhos gencianos

onde estão teus dentes?


Mulher, te dei caminho

de veias, para resvalar o sangue quente

de pernas, para levar teus sonhos ao cio

de línguas, para friccionar tuas traduções

e há glossários, para necessárias desobediências


Mulher, te dei desejos

Cordas e sons de cantar a vida úmida

Mas essa dobradiça repetindo

rangendo mecânica dor


esgotada

e seca


qual trapo perdido, escorregando no vazio

movimenta insana inanição


Mulher oceânica

investiga teus rastros

e tenha em ti um poema

porque um corpo que cai

é o mesmo que se levanta




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